quinta-feira, 20 de julho de 2017

The Samurai of Prog - On We Sail (2017)


Um ano após o lançamento do seu último disco, o projeto liderado pelo multi-instrumentista Marco Bernard está de volta e o melhor de tudo, sem se mostrar desgastado no sentido artístico. O disco se trata de um conjunto belíssimo e perfeitamente equilibrado de sessenta e cinco minutos do que de melhor o rock progressivo sinfônico pode oferecer. Existem elementos clássicos do gênero que nos remetem a bandas como Kansas, Yes, Genesis e Emerson, Lake & Palmer em excelentes ritmos, surpresas harmônicas e sons orquestrais maravilhosos. Ás vezes a sonoridade pode ir de dramática à algo mais poderoso com bastante movimentação e energia. Um disco onde tudo é bem distribuído e direcionado, mostrando músicos que sabem de onde vieram e para onde vão, sem que em momento algum se percam em instrumentações confusas.

O álbum tem início com a faixa título, “On We Sail”, através de um sintetizador vintage aliado com elementos modernos de neo progressivo. Logo, a seção de ritmo perspicaz de grave e bateria aumenta as camadas profundas que a banda utiliza através da música e do álbum como um todo. Melodias de violino também entram se juntam a canção. Possui um vocal ao estilo Gentle Giant que está sempre em perfeita harmonia com o pano de fundo instrumental. Também tem uma passagem instrumental extremamente enraizada na linha neo progressiva. Apesar de uma composição fortemente amarrada, seu solo num breve momento mais brando gelifica a canção de forma bastante introspectiva. Excelente maneira de começar um álbum.

“Elements of Life” começa com uma flauta isolada em uma mistura que lembra Camel, mas também um pouco de Jethro Tull, adicionando uma marca de música clássica. Em seguida ganha um direcionamento orquestral mais exuberante antes que um baixo profundo apareça seguido de um instrumental melódico. É uma faixa que em si carrega uma profunda estética musical clássica no seu decorrer. Tem uma passagem instrumental que oferece uma excelente trilha para os vários elementos climáticos da experiência humana. Isso é perfeitamente combinado com o conteúdo lírico da música.

“Theodora” é uma faixa feita pra quem gosta de Annies Halsam do Renaissance. Michelle Young se destaca como um verdadeiro tesouro nos vocais, cantando com uma voz muito sensual e bastante alma. Essa faixa também coloca uma grande ênfase em assinaturas de tempos e progressões de acordes. Possui uma bela troca de vocais femininos e masculinos. Os coros de apoio são fortemente sinfônicos em sua natureza. Há algumas pausas agradáveis entre linhas vocais que permitem que a música respire para que o ouvinte possa assumir o propósito completo da obra.

“Ascension” é uma faixa instrumental e tem sua abertura com uma orquestração atmosférica criada pelo teclado e que logo é apanhada em melodia com uma linha sutil, mas brilhante de baixo. Depois tem uma progressão de acordes funk/fusion com uma flauta que acentua a melodia instrumental. A guitarra se apresenta em uma cama mais profunda. Interessante ver como nesta faixa a banda parece tocar tão naturalmente e de esforço mínimo, mas com um resultado formidável. Também possui um piano que permite que elemento clássico esteja presente na música.

“Ghost Writen” inicia-se com uma linda passagem de guitarra que é aprimorada com o som sutil da flauta e vocais. Uma configuração perfeita para uma ótima história. Carrega grandes melodias e camadas de violões e flautas, juntamente com as seções de cordas de guitarra e teclado. Tudo dá uma certa atmosfera celta a música. A seção rítmica é muito bem ancorada fazendo com que todos os instrumentos envolvidos tenha o seu “lugar ao sol”. Pra citar duas bandas que se pode notar os elementos aqui eu diria que Camel e Caravan. Uma canção bastante edificante e liricamente sábia onde os vocais são nitidamente influenciados pela I.Q. The Samurai of Prog tem uma habilidade muito inteligente para permitir que cada canção respire para que todos os instrumentos brilhem e esta música é um exemplo bastante claro disso.

“The Perfect Black” tem uma linha mais obscura. Começa com uma seção de ritmo profundo, juntamente com um órgão hammond de estilo atmosférico. Possui um excelente título devido a progressões de acordes imprevisíveis. Apesar de também ser instrumental, tem melodias capazes que criar no ouvinte imagens épicas como a de um capitão de um navio velejando em alto mar ou filmes com histórias que possuem grandes batalhas. A espinha dorsal dessa música é fortemente de natureza clássica dando uma capacidade maior ainda de absorver as imagens anteriormente citadas. O piano apresentado em determinada parte soa como se Bach ou Mozart estivessem tocando rock progressivo. Também tem um grande trabalho de violão de influência latina.

Impossível não remeter os primeiros segundos de “Growing Up” ao Jethro Tull, grande parte da introdução na verdade. A banda faz um excelente trabalho em contar histórias com o conteúdo lírico. A flauta influenciada por Ian Anderson é o herói desconhecido da música. A bateria permite que a flauta e os instrumentos de cordas tenha a oportunidade de envolver o ouvinte em vários níveis. No geral essa é uma canção bastante divertida.

“Over Again” é uma peça belíssima de piano influenciada por grandes da música clássica como Beethoven e Bach. Um ótimo momento de transição que funciona principalmente ao vivo onde os demais membros da banda ganham um breve período de descanso. Essa faixa também é bastante suave que permite que o ouvinte “digira” o que foi apresentado até agora e emenda com a faixa que vai fechar o álbum.

“Tigers” é a última faixa do álbum. Se inicia com alguns elementos de piano e violino dando um peso a música antes que ela assente em um piano isolado que acompanha os vocais. Essa música é um rock progressivo tradicional. Tem peso nos teclados e flauta e violino que adicionam maior profundidade as camadas sonoras e que é uma marca registrada da banda. Destaco aqui também os vocais bastante emotivos e executados com muita convicção, não servindo apenas como um caixeiro de história, mas atingem cada nota com perfeição a medida que a música evolui. Tem um solo de guitarra de grande profundidade e emoção seguida por uma seção rítmica não menos marcante e agradável. Sem dúvida que através de sua última faixa, o disco finaliza sua jornada melódica de maneira soberba.

Adoro como a The Samurai of Prog sempre deixa espaço para o ouvinte absorver e digerir cada álbum de acordo com suas personalidades individuais. Também provam mais uma vez que ainda existe um grande mercado progressivo tradicional, onde nada parece ser forçado e carregam consigo uma consciência inteligente para incorporar elementos mais novos que podem atrair a nova sem decepcionar a velha guarda. 

- Tiago Meneses -

Track Listing

1.On We Sail - 6:21
2.Elements of Life - 7:54
3.Theodora - 5:55
4.Ascension - 5:19
5.Ghost Written - 9:40
6.The Perfect Black - 9:30
7.Growing Up - 5:42
8.Over Again - 4:06
9.Tigers - 10:34

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