quarta-feira, 12 de julho de 2017

Barock Project - Detachment (2017)


Liderada pelo multi-instrumentista e compositor, Luca Zabbini, Barock Project tem em seu 5º disco a comprovação definitiva de que a banda não se trata mais de promessa ou revelação, mas uma realidade que os colocam no patamar dos melhores grupos de rock progressivo em atividade surgido nesse século.

Continuam a mostrar uma grande progressão em sua música, mas mantendo-se extremamente fiel ao seu estilo. Detachment é uma verdadeira montanha russa de notas e variação de humor. Mais moderno, variado, diversificado e até mesmo pesado que os trabalhos anteriores. É como pegar perfeitas doses o rock, jazz, metal, prog, flamenco, música oriental, folk, música celta, pop, música sinfônica e misturar bem, tendo como resultado um trabalho impecável na composição, execução e produção.

A abertura através de “Driving Rain” dura pouco mais de um minuto, tem uma bonita melodia de piano que combina bastante com o clima melancólico que a capa do álbum apresenta, nos faz acreditar que estamos prestes a começar uma viagem sonora fria e obscura. “Promisses” é a faixa que de fato dá início ao disco e de maneira avassaladora, dominada pelos sintetizadores nos mostrando ainda algumas abordagens de metal executados de maneira mais delicadas, partes vocais cativantes e instrumentais pesados. “Happy to See You” é outra faixa belíssima, trazendo uma mescla perfeita entre virtuosismo e musicalidade de fácil aceitação. Belo trabalho vocal e refrão pra cantar junto. Também possui um solo de hammond sensacional seguido por um de guitarra que é puro sentimento executado sobre um lindo arranjo sinfônico.

“One Day”, de início já mostra uns sons de guitarra neoclássica e que logo mudam para um som de 12 cordas. Rock progressivo clássico literalmente, elementos de beleza pastoral, flauta, pianos e um crescimento na sonoridade fazendo a ficar com um ar de épico. “Secret Therapy” começa com tablas e execuções acústicas rápidas e de aromas orientais. Produção sensacional e de paisagem sonora feita por quem sabe usar a nuance de sua música pra “colorir” o som de maneira soberba. “Broken” traz Peter Jones (Tiger Moth Tales) como convidado nos vocais onde mostra toda a sua influência em Peter Gabriel. Piano, arranjos de cordas e trabalhos belíssimos de guitarras elétricas e acústicas, bateria quebrada, fortes sintetizadores. Faixa mais longa do álbum com quase dez minutos e também um dos momentos mais inspirados da banda.

“Old Ghosts” inicia com vocal sobre uma atmosfera criada pelo teclado até ganhar mais força com a entrada de bateria e guitarra acústica. Suaves pianos, vocais melódicos, coros bem feitos e ótimos backing vocals além de um momento mais pesado. “Alone” é mais uma música onde os vocais ficam por conta de Peter Jones. Basicamente piano e voz onde sentimento imposto pelo vocalista sobre cada nota faz desse apesar de um simples e curto momento do disco, um dos mais emotivos. “Rescue Me” após um início tranquilo tem uma quebra que leva a música a um ritmo rápido e cativante liderado por um riff de guitarra e que se mantem por toda sua extensão. Uma música diferente do que a banda costuma produzir, mas de grande atmosfera e alto astral que deve funcionar ainda melhor ao vivo.

Em “Twenty Years” a banda novamente começa a canção de maneira amena, apenas com uso de guitarra acústica acompanhado por vezes de strings. Cresce exponencialmente no ouvinte com pesados riffs e solos de guitarra. Tem no seu final o ápice musical com uma sonoridade orquestral impactante de influência medieval. “Waiting” é enérgica e apresenta interlúdios de levadas de piano extremamente cativante e belo. Partes orquestrais e solos de teclados que ditam o poder que a música traz. “A New Tomorrow” provavelmente seja a música mais elegante, digamos assim, de todo o disco. Melódica e de harmonia extremamente aprazível depois ganha força sem perder seu charme principalmente por conta dos vocais melódicos. Guitarra pesada intercalando com violão, ótimo trabalho de hammond, baixo pulsante e bateria variando entre enérgica e mais suave deixando a música em magnífico equilíbrio. “Spies” é a que fecha o disco. Até a metade possui uma levada de guitarra acústica, bateria bem cadenciada, baixo em variações criativas e bonitos pianos em doses homeopáticas, ganhando um peso em seguida antes de receber nova direção onde uma “tempestade jazzy” golpeia o ouvinte em sua segunda metade. Tem um final orquestral digno pra finalizar o álbum de forma soberba e diria até que apoteótica.

Mais um tiro certo desta incrível banda de rock progressivo. Detachment com certeza é um daqueles discos capaz de encapsular o ouvinte em seu próprio universo musical.

- Tiago Meneses -


Track Listing

1.Driving Rain - 1:02
2.Promises - 5:05
3.Happy to See You - 7:37
4.One Day - 7:23
5.Secret Therapy - 5:37
6.Broken - 9:10
7.Old Ghosts - 4:07
8.Alone - 3:14
9.Rescue Me - 4:55
10.Twenty Years - 6:06
11.Waiting - 5:43
12.A New Tomorrow - 7:39
13.Spies - 7:23



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