quarta-feira, 5 de julho de 2017

Van der Graaf Generator - H to He Who Am the Only One (1970)


O ano de 1970 foi decisivo para a o rock progressivo. Aquela música recém-nascida na forma de bandas como Genesis, Yes, e Gentle Giant, ganha força e convicção, explorando e explodindo conscientemente os “limites” do rock, com um espirito puro e experimentação sem restrição.

H To He Who Am The Only One é um disco com fortes influências no jazz em grande parte expresso pelo saxofone dinâmico de David Jackson. O disco é um exemplo clássico de álbum “difícil”, que pode ser em primeira análise algo desafiador e complicada assimilação, mas que depois tende a ser uma gratificante experiência auditiva. Eu mesmo, confesso que após ouvi-lo pela primeira vez, no relativamente longínquo ano de 1999 (acho), demorou até que não apenas esse disco, mas a banda de fato me tocasse. Mas hoje, posso dizer que é uma das minhas preferidas do rock progressivo, sendo Peter Hammill, de longe, o meu letrista favorito do gênero.

A morte, amor, dor interior, auto aversão, arrependimento e a necessidade de solidão são temas recorrentes no disco e que o tornam catártico e também perturbador. Peter Hammill muitas vezes tem a sua capacidade vocal questionada, mas é inegável o quanto ele consegue ser enérgico e emotivo. Às vezes ele quase sussurra, outras vezes ele quase grita “cuspindo” suas linhas vocais e outras vezes ele afeta um falsete que pode ser visto como algo que ajudou a moldar acrobacias vocais até em bandas tecnicamente superiores nessa área (como o Gentle Giant, por exemplo)

O álbum começa de maneira fantástica através da faixa “Killer”, uma faixa que lembra "21st Century Schizoid Man”, mesmo que não haja uma semelhança real, provavelmente David Jackson no seu sax poderoso é a chave para esse meu pensamento. Mas isso não é tudo, Peter Hammill soa mais ou menos como David Bowie no seu tempo de Ziggy Stardust misturado a uma sonoridade tipo jazzy psicodélico de grande complexidade. Faixa de melodia forte e que é agradável do seu começo ao fim.

"House with no Door" começa com um piano e Peter no vocal de uma maneira que parece David Bowie cantando uma música do Elton John. Essa cadencia segue até a entrada uma bela flauta. Não é uma música muito complexa, mas é extremamente bonita e com grande sentido melódico.

The Emperor in his War Room" é simplesmente brilhante trazendo todos os elementos pra ser considerada um ícone do rock progressivo (inclusive Robert Fripp como convidado). A interação entre órgão e flauta é impressionante, as mudanças radicais são surpreendentes, mas sempre respeitando a melodia. O desempenho de Fripp é bom como de costume. Uma música única em tudo e uma das melhores da discografia da banda.

“Lost” é uma música meio estranha, um tipo de hard rock misturado a piscodelia e dramatismo, mantendo o ouvinte em um constante suspense perguntando o que vem depois, mas o bom disso é que ela nunca decepciona.

“Pioneers Over C.” igualmente a faixa anterior também apresenta muitos temas juntos. Começa com uma atmosfera espacial. Possui algumas seções mais rápidas e de groove pra agitar o fluxo. Peter Hammill tira todos os seus truques vocais (seja para o bem ou para o mal) em harmonias bem assustadoras, mas em falsetes que deixam um pouco a desejar. Bastante experimental e variável, a banda caminha por várias direções até terminar o álbum de maneira espacial também.

- Tiago Meneses -

Track Listing 

1.Killer - 8:07
2.House With No Door - 6:03
3.The Emperor In His War-Room - 9:04
4.Lost - 11:13
5.Pioneers Over C. - 12:05

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