sexta-feira, 30 de junho de 2017

Dream Theater - Awake (1994)


Lançado pela banda em 1994, sem dúvida alguma se trata de uma obra prima do metal progressivo. Ao contrário de Images and Words, a música é bastante jazzística e abrange o metal neoclássico de vez em quando. Além disso, o som é mais sujo, os riffs de guitarra são mais pesados e os vocais mais ásperos. Sem contar que a produção elimina qualquer influência de som glam metal que talvez tenha sido o único ponto negativo de Images and Words, álbum anterior. As composições são complexas e executadas rapidamente, dando a tenacidade e tornando-a mais dinâmica. Sempre sinto no disco certa atitude urbana, que de alguma forma me dá a impressão de está no meio de uma metrópole com todo o seu barulho e agitação. A guitarra é a melodia criada pelos carros que aceleram enquanto a bateria as portas que batem em todos os lugares e o movimento constante de milhares de pés, o baixo representa as vozes de todos conversando, os teclados as sirenes, buzinas e outros sons típicos metropolitanos.

O disco começa com “6:00” trazendo um mini solo de bateria que é um contraponto perfeito para o grito do teclado frenético de Kevin Moore. Apresenta um trabalho instrumental complexo e é a adrenalina e provavelmente o momento de maior diversão em um disco que soa muitas vezes sombrio. “Caught in a Web” é mais pesada e aqui confesso que a entrega vocal me soa um pouco estranha, apesar de bastante sólida. Demorou até que ganhasse a minha apreciação, mas hoje a vejo com uma música de versos muito atrativos, ótimo coro, excelente musicalidade por parte de todos, com destaques para as performances uníssonos de guitarra e teclado deixando tudo extremamente encorpado e cheio de vitalidade.

“Inocence Faded” é uma faixa muito mais leve do que as que a cercam e tem alguns cantos estranho de James Labrie e com isso, provavelmente seja uma das letras mais “mal interpretadas” em sua carreira com a banda. Mas ainda assim não a considero uma mancha no disco, pois musicalmente é agradável e possui um excelente final, enérgico e de um ótimo e direto solo de guitarra de John Petrucci.

As próximas três faixas compõe o épico “A Mind Beside Itself”. Mas quando escutada como um épico, esta faixa não rivaliza de forma alguma com outros grandes épicos prog, mas cada parte é interessante por direito próprio, digamos assim. A primeira parte é “Erotomania”, uma instrumental excelente, com passagens lindas, complexas e mudanças estranhas de tempo. A segunda parte é “Voices”, um lamento soberbamente poético de John Petrucci sobre o quão difícil às vezes é ter fé, pra mim, um dos momentos mais sublimes do disco, musicalmente as apresentações de cada um novamente é bastante sólida, com menção especial a Kevin Moore que adequa seus teclados perfeitamente ao tema, criando uma atmosfera gótica e catedral incrível. O solo de guitarra também é arrepiante e bastante condizente com a narrativa da música. James Labrie também brilha em uma incrível quantidade de tonalidade e fraseio impecável e bem escolhido. O épico finaliza com “The Silent Man”, não tem muito o que falar dessa faixa, trata-se de uma emotiva peça acústica muito bem interpretada por James Labrie e que traz um bonito solo de violão no seu meio.

“The Mirror” é pesada e excelente com letras que descrevem a luta de Mike Portnoy com o alcoolismo e muitas vezes vista como uma espécie de prelúdio para a “Twelve-Step Suite". Uma trilha notável e de metal puro perfeitamente bem trabalhado com elementos progressivos. Destaque também a referência feita a “Space Dye Vest” que ficou excelente. Se final súbito já a emenda na próxima faixa. “Lie” faz o álbum seguir de maneira pesada, mas dessa vez com menos elementos progressivos, mesmo assim a vejo com uma espécie de segunda parte de “The Mirror”, possui excelente atmosfera e um solo de muita velocidade de John Petrucci.

"Lifting Shadows off a Dream" é uma faixa branda, a introdução harmônica do baixo de John Myung, os teclados suaves seguindo a mesma linha melódica da voz, o som da guitarra espacial fazem dessa faixa uma grande experiência.  Uma música bastante completa apresentando muitas variações de estilo e intensidade. Com onze minutos, “Scarred” é a faixa mais longa, mas também musicalmente coesa do álbum, onde todos tem grande contribuição para o seu resultado. Os estilos mudam com tanta frequência que se o ouvinte não prestar atenção pode facilmente se perder em meio a tanta variação. Acho inclusive que é uma música bastante subestimada se comparada a outras da mesma natureza (tamanho), pois carrega uma qualidade crescente durante a sua execução poucas vezes vista na banda.

O álbum chega ao fim através de “Space Dye Vest”, composta inteiramente por Kevin Moore, é bastante emocional, onde toda a música se concentra quase que exclusivamente no piano de Kevin e no vocal suave de James. Pensativa, sombria e introspectiva, apresenta uma melodia intrigante, e há algo hipnótico e trágico sobre a forma como Moore mistura os dois "riffs" de piano principais ao longo da música. É uma canção sobre o crescimento cada vez mais alienado do mundo, um homem que ficou obcecado com modelos dos catálogos de moda, com exclusão de relacionamentos reais e significativos, sem dúvida alguma é a maior expressão de liberdade criativa de Moore no disco. Sua parte final tem o acompanhamento dos demais instrumentos que a fazem crescer musicalmente, finalizando o álbum de maneira soberba.

Awake sem dúvida alguma é um registro muito bem pensado e que merece cadeira cativa no rol dos grandes lançamentos de metal progressivo de todos os tempos. Cinco músicos sendo cada um dos percursores de suas nuances instrumentais (e vocais). Um trabalho de onze faixas de qualidade e profundidade que mesmo depois de mais de duas décadas desde o seu lançamento ainda merece ser difundido a aqueles que não se depararam com a sua música. 

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.6:00 - 5:31 
2.Caught In A Web - 5:28 
3.Innocence Faded - 5:43 
- A Mind Beside Itself:
4.I-Erotomania - 6:45
5.II-Voices - 9:53
6.III-The Silent Man - 3:48
7.The Mirror - 6:45
8.Lie - 6:34
9.Lifting Shadows Off A Dream - 6:05
10.Scarred - 11:00
11.Space-Dye Vest - 7:29

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Roger Waters - Is This the Life we Really Want? (2017)


Quase vinte e cinco anos após o lançamento de Amused the Death, Roger Waters está de volta com um disco de inéditas, onde mesmo eu tendo David Gilmour como meu Floyd preferido, provavelmente de hoje em diante vou ver esse como o melhor trabalho solo de algum membro da mega banda. Talvez até arrisco-me dizer que é melhor que tudo que o Pink Floyd fez depois do The Wall, pois apesar de eu gostar também desses discos, existem momentos que não me prendem e não vejo problema em pular a faixa, ao contrário que aqui simplesmente as coisas fluem belissimamente e todo o disco merece uma atenção igualitária e crescem a cada audição. Além do trabalho musical, não se deve deixar de mencionar o trabalho do produtor Nigel Godrich que trouxe camadas sonoras bastante carregadas e orientadas por teclados. Em termos de ser acessível, Is this the Life we Really Want? com certeza lidera esse quesito na discografia do músico. Uma destilação em muitos aspectos das mensagens anti-fascistas, anti-imperialistas e anti-ganância que ele transmitiu desde o Pink Floyd. Liricamente é bastante sutil, embora o momento em que vivemos, sutileza não tem sido a palavra chave pra nada e com certeza existam alguns recados para entender o contexto mais profundo de cada música. Mas uma coisa é bem clara, o disco trata-se (também) de um “foda-se” explícito para Donald Trump e qualquer pessoa que se aproveite do sofrimento humano. O início do álbum com uma curta faixa, “When We Were Young”, é através de uns batimentos cardíacos e o tic tac de um relógio e que faz com que seja impossível de não lembrar de Dark Side of the Moon. Em “Déja vù”, Roger Waters avalia de maneira emotiva sob um violão e atmosfera criada por cordas, na abertura das três primeiras estrofes o que ele faria se tivesse sido Deus e logo em seguida após uma mudança de tom na música o questionamento é se ele tivesse sido um drone. Essa faixa tem reminiscências encontradas principalmente nas baladas do seu último disco com o Pink Floyd, The Final Cut. "The Last Refugee" é a terceira faixa e certamente um dos momentos mais belos do álbum, tanto musicalmente quanto liricamente. Novamente é possível imaginá-la em algum clássico do Pink Floyd, mais precisamente em The Wall, pelo seu ar melódico, sombrio, conversas de rádio e excelentes riffs de sintetizadores e piano que deslizam por toda a faixa.
Impossível também é ouvir o início de "Picture That" e não trazer em mente, "Sheep". Além disso, é possível notar até mesmo pedaços de “Shine on You Crazy Diamond Parts VI-XI". Apesar de novamente ser uma música com ar sombrio, dessa vez possui uma levada menos atmosférica e se cadencia de maneira mais pulsante com excelente cozinha e linhas psicodélicas de sintetizadores. "Broken Bones” começa com um violão acústico muito bem acentuado e vocal suave e ao mesmo tempo bastante forte, em seguida vai ganhando acompanhamento de leves toques de cordas. Mas há momentos em que tanto a parte vocal quanto a instrumental crescem, essa segunda em lindos e emocionantes arranjos orquestrais e linhas de guitarra. A faixa título, “Is this the Life we Really Want?”, começa com uma breve fala de Donald Trump lamentando a cobertura de sua eleição, pra somente depois ganhar seu corpo musical. Roger Waters canta ao seu melhor estilo “sombrio” em uma levada musical simples, mas muito bem arranjada principalmente pelos teclados. “Bird In a Gale”, possui um vocal uivante e desesperado acoplado a adição de teclados maravilhosos. Aqui também facilmente nota-se reminiscências em "Sheep".
“The Most Beautiful Girl” é linda e pode ser vista até certo ponto, com um olhar oblíquo acerca do bombardeio na Síria. Como acontece em boa parte do álbum, o piano figura fortemente. O uso sutil de cordas equilibra-se bem com o vocal, e a música inclui uma grande entrega de Roger Waters onde a sua parte final mostra uma mistura bem equilibrada de tristeza e anseio. “Smell the Roses”é uma verdadeira cornucópia de músicas do Pink Floyd, possui uma melodia que incorpora elementos de “Have a Cigar”, batida encontradas em "Echoes", batimentos que lembram aos de "Dogs", elementos pulsantes e batimentos de relógio como em "Speak to Me/Breathe", latidos e um final que vem a mente “Shine on You Crazy Diamond".
As últimas faixas são uma espécie de “três em um” em um apelo sincero de amor e respeito, que é uma metáfora da fragilidade da paz e da cooperação em um sentido mais amplo (muito mais evidente no segmento final, "Part Of Me Died"). Musicalmente, alguns toques simples e maravilhosos de piano e teclados que deixam com que o disco tenha um final edificante. Is this the Life we Really Want? entrega exatamente o que os fãs de Roger Waters (e os detratores) esperavam, ou seja, um tratado mordaz sobre a condição humana atual com letras afiadas, composições musicais inchadas e muitos efeitos sonoros. Mostra um Roger Waters em excelente forma, cheio de vigor e determinação para tentar abrir os olhos das pessoas para o que está acontecendo no mundo de hoje. Sua exploração de temas de amor também é uma jogada positiva. O álbum merece toda sua atenção e, embora a política não seja para o gosto de algumas pessoas, deixe essa parte de lado e perceba apenas musicalmente Waters abraçando com confiança seu mais novo projeto.



- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.When we were Young - 1:38
2.Déjà Vu - 4:27
3.The Last Refugee - 4:12
4.Picture That - 6:47
5.Broken Bones - 4:57
6.Is this the Life we Really Want? - 5:55
7.Bird in a Gale  - 5:31
8.The Most Beautiful Girl - 6:09
9.Smell the Roses - 5:15
10.Wait for Her - 4:56
11.Oceans Apart - 1:07
12.Part of Me Died - 3:12

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Yes - Fragile (1971)


No disco The Yes Album, trabalho anterior a Fragile, o Yes havia sofrido a sua primeira mudança na formação quando com a saída de Peter Banks a vaga de guitarrista foi preenchida pelo lendário Steve Howe. Mudança também na sua sonoridade que se tornou mais robusta e trabalhada. Fragile marcou a era da considerada melhor formação por muitos fãs da banda. A mudança agora ocorria no teclado com a saída do muito criativo e "pouco" habilidoso Tony Kaye, para a entrada do muito criativo e muito habilidoso Rick Wakeman. 

Fragile mostra uma banda unida, tocando com precisão cirúrgica e perfeição. Composições excelentes, solos deslumbrantes tanto de guitarra quanto de teclado, além “duelos” arrebatadores , bateria incomum, minimalista, às vezes com poucas batidas e muita técnica, sensibilidade, tudo executado em tempos absurdos fazendo um dos trabalhos mais belos de percussões que já tive o prazer de ouvir, linhas de baixo sensacionais e vocais excelentes que soam perfeitamente como um instrumento. 

O álbum começa justamente com a faixa mais famosa da banda entre as compostas nos anos 70. “Roundabout” é incrível, capaz de agradar todo tipo de ouvinte sem necessariamente soar comercial. Traz a famosa e sensacional linha de baixo de Chris Squire, impulsionada por uma bateria enérgica, possui boas variações, sons agradáveis e um vocal extremamente adequado, além de perfeitos trabalhos de teclado e guitarra. Tudo contribui na construção de um dos grandes momentos musicais da rica história da banda. 

“South Side of Sky” é outro ponto alto do disco e que demorou até que fosse tocada ao vivo pela primeira vez. Baixo nas alturas, excelente diálogo entre guitarra e vocal, magnífico interlúdio de piano. Se as pessoas se interessarem em saber como é a argila em que a música progressiva foi moldada, com certeza esse é um bom exemplo. Também tem passagens de guitarra distorcida e bateria constante que dão mais vida ao som. 

“Long Distance Runaround”, exageros a parte na expressão, diria que se trata da faixa mais pop do álbum. Inicia-se com uma espécie de “chorinho” executado por teclado e guitarra, sobre essa mesma melodia bateria e baixo encorpam a faixa em tempos diferentes. É relativamente curta e bastante cativante. 

Durante o álbum existem pequenas faixas entre essas citadas que são apenas pontes que preparam o ouvinte para a faixa seguinte, mas nada demais e poderíamos viver tranquilamente sem elas, mas entre essas faixas, vale ressaltar “Mood for a Day”, uma peça acústica que faz uma preparação incrível pro momento derradeiro de Fragile.

“Heart of the Sunrise” é um verdadeiro petardo e não poderia encerrar o disco de maneira melhor. Com mais de 10 minutos é equipada com todos os tipos de ingredientes que encantam um amante de rock progressivo. Começo estridente que pode não soar de fácil apreciação inicialmente. Anderson executa nessa música um vocal alto e poderoso como nunca antes e provavelmente depois tenha feito em sua carreira. Influências de jazz e música clássica. Por vezes os instrumentos são conjugados fazendo a banda soar igual a uma orquestra. Todos tocam perfeitamente bem: uma linha de baixo invejável, grandes riffs e solos de guitarra, bateria rápida e teclados emocionais. Atmosfera incrível, mística, melancólica e profunda que fecha um dos discos mais importantes da história do rock progressivo e essencial em qualquer coleção do gênero.

- Tiago Meneses - 

Track Listing

1.Roundabout - 8:29
2.Cans And Brahms - 1:35 
3.We Have Heaven - 1:30 
4.South Side Of The Sky - 8:04
5.Five Percent For Nothing - 0:35 
6.Long Distance Runaround - 3:33 
7.The Fish (Schindleria Praematurus) - 2:35 
8.Mood For A Day - 3:57 
9.Heart Of The Sunrise - 10:34 

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Neal Morse - One (2004)


Depois de lançar um disco da grandiosidade de Testimony em 2003, muitas pessoas e na qual me incluo se perguntaram quanto tempo depois que Neal Morse conseguiria alcançar novamente um grau musical tão elevado em um álbum. Alguém acreditaria se a resposta para isso fosse “um ano depois”? Pois é, exatamente um ano depois, através de One, Morse estava de volta desfilando novamente uma música de grande excelência, onde cada faixa inspira e excita o ouvinte demonstrando todos os aspectos positivos de um bom rock progressivo.

O épico “The Creation” abre o disco com um teclado atmosférico e arranjo orquestral. A música então ganha mais energia com a disparada de bateria de Mike Portnoy, teclados e sons de guitarra apoiados com uma música sinfônica. O entrelaçamento na abertura de guitarra, bateria e teclado em um tempo relativamente rápido é excelente.  O vocal de Morse quando entra pela primeira vez se apresenta em um fluxo contínuo e acentuado com uma bateria dinâmica e teclados bem encaixados. Em algumas transições da música destaque também para o uso do mellotron. É uma daquelas faixas que cada passagem musical é bem amarrada a deixando sempre coerente e não apenas em retalhos que não se combinam. Uma composição excelente independente de que maneira você olhe pra ela

“The Man’s Gone” é uma faixa que possui guitarra acústica e percussão em ritmo moderado, cadenciada sob um vocal teatral. Confesso que pra ouvir isoladamente não é uma música que me atrai tanto, é uma boa canção, mas nada demais, mas quando a ouço como transição entre “The Creation” e “Author of Confusion”, fica com certeza mais agradável. “Author of Confusion” começa de maneira explosiva em ritmo rápido e ótima combinação entre todos os instrumentos. Possui transições de mellotrons bastante agradáveis e trabalhos de bateria deslumbrantes. Às vezes o teclado solo me faz lembrar Rick Wakeman. A primeira vez que o vocal aparece na música é de maneira sensacional lembrando as paredes vocais do Gentle Giant. Na música à momentos de tempo moderado e fluxo contínuo, mellotron trabalhando lindamente bem, as obras de guitarra e teclado são deslumbrantes. Tudo maravilhosamente bem elaborado.

“The Separated Man” é mais um épico. Traz um ritmo menos complexo se comparado ao apresentado na faixa anterior. A peça de transição apresenta nuances influenciadas pela música do Oriente Médio com excelente harmonia vocal que tem o fim com um grito seguido de uma passagem musical edificante. O trabalho de guitarra acústica também é excelente e a parte final da faixa apresenta uma orquestração sublime antes do vocal que conclui a música. “Cradle to the Grave” é uma balada que me lembra aos tempos de Morse no Spock’s Beard, mais precisamente a “The Distance to the Sun” do álbum Day the Night. Começa com uma guitarra acústica, mas depois cresce com os demais instrumentos em uma cadencia simples, suave e melódica.

“Help Me/The Spirit and the Flesh” começa com um ótimo toque de piano e flui naturalmente com um vocal seguido de preenchimentos curtos de guitarra. Existe uma grande influência de jazz nessa faixa, passagens impressionantes de guitarra acústica. No meio da música existe uma mudança de andamento, mais silenciosa até se tornar mais alta em um clima mais feliz. Termina com uma levada sinfônica e de excelente orquestração. “Father of Forgiveness” é uma balada simples, agradável e suave basicamente com um piano e vocal na sua abertura seguida por uma orquestração e uma bateria soft. A faixa que fecha o álbum é “Reunion” e que também tem uma carga do tipo que é ótima pra encerrar show também. Começa através de um rock direto. Certo momento o tempo se torna mais rápido e dinâmico e a orquestração de violino e violão dá um excelente corpo para a música, além do excelente trabalho de guitarra. A faixa fica mais silenciosa tendo como ritmo basicamente apenas vocal e piano. O disco tem o seu final em um estilo sinfônico maravilhoso.

Neal Morse é sem dúvida um dos melhores compositores de música progressiva das últimas décadas. Se ele obtém no cristianismo a sua inspiração pra compor, ou mesmo que fosse em outra religião, pra mim isso é irrelevante e acredite, deveria ser irrelevante a todos, caso contrário, deixarão de ouvir uma maravilhosa mistura de um rock progressivo clássico sinfônico e emocionantes e cativantes baladas. Maravilhoso do começo ao fim. 

- Tiago Meneses - 

Track Listing:

1.The Creation - 18:22 
2.The Man's Gone - 2:50 
3.Author Of Confusion - 9:30 
4.The Separated Man - 17:58 
5.Cradle To The Grave - 4:55 
6.Help Me/The Spirit And The Flesh - 11:13 
7.Father Of Forgiveness - 5:46
8.Reunion - 9:11

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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Peter Hammill - Chameleon In The Shadow Of The Night (1973)


Van der Graaf Generator sempre foi uma das minhas bandas preferidas de rock progressivo, sendo Peter Hammill o principal motivo disso. Chameleon In The Shadow Of The Night na prática é o segundo disco do músico, mas muitas vezes é visto como o primeiro, já que o anterior é uma coleção de músicas pop enquanto aqui as coisas de fato subiram a outro nível, trazendo um trabalho emotivo e de personalidade pura. A produção pode ser meio áspera e as estruturas se aproximando da simplicidade. De vez em quando nota-se uma repetição ou “deslizamento”, mas que no final são “falhas” que engrandecem ainda mais esse registro.

O disco abre através de “German Overalls”. Apresenta melodias acústicas memoráveis, vocal emocional confiante e diversificado alternando-se frequentemente em um tom de incerteza, cautela e intermediário a esses dois. Possui em seu final um harmonium encorpado que engrandece a música, além de um fluxo eletrônico/elétrico catártico. A segunda é“Slender Threads”, novamente uma faixa acústica de primeira qualidade, incluindo um par de interlúdios extremamente agradáveis e uma melodia principal perfeita. Os vocais incluem momentos ocasionais mais altos, mas são em grandes partes um recurso muito baixo, sutil e discreto.

Em “Rock and Rôle” encontra-se uma grande pitada de Van der Graaf Generator, sonoridade “punk” com riff elétrico e performances fortes de Nic Porter, Guy Evans e David Jackson, seus companheiros de banda (no caso de Nic, ex companheiro). Adições de piano de bom gosto e uma longa ponte instrumental inteligentemente arranjada marcam positivamente a música. “In The End” é uma faixa piano e voz com grande emoção transmitida através da força da voz carregada de emoção de Peter Hammill. Uma bela cama de piano dá o tom de uma interpretação bonita, porém bastante nervosa, cheia de veneno, desespero e esperança sempre que as palavras assim exigem.

“What's It Worth” é a faixa mais cativante do disco, com uma bela e surpreendente flauta, simples melodia acústica é o carro chefe de uma viagem musical extremamente aconchegante. Novamente destaque também para a performance vocal de Peter Hammill, bastante limpa e acompanhada de harmonia incrivelmente bela. “Easy to Slip Away” é o momento mais diferente do álbum. Outra música piano e voz de carga emocional elevadíssima principalmente pela entrega vocal de Peter Hammill, algo no mínimo sincero, poderoso e claro. A faixa também possui pontes de saxofone tocado com a alma, mellotron incrível, enfim, uma faixa diferente do restante do álbum.

“Dropping the Torch” é mais uma peça acústica do álbum muito bem executada, onde o vocal é limpo e bem organizado e tudo feito com simplicidade e sentimento. A faixa que fecha o disco é “(In the) Black Room/Tower” e que já começa com uma explosão instrumental. Tem efeitos caóticos e enlouquecidos de teclado, flautas, sax rugindo, percussão imaginativa, muitas harmonias vocais e um piano chocante e sempre proeminente. Uma música extremamente complexa que equilibra bem o caos e o controle e expressa o que é convencionalmente inexpressável.  Provavelmente a faixa destaque para a maioria das pessoas que ouvir o álbum e seja familiarizado com a obra de Peter Hammill. 

Toda música nesse álbum é boa, sendo que todas também possuem momentos de excelência. Um disco extremamente temperamental e expressivo, feito principalmente para os fãs de Peter Hammill e que consideram sua maneira de expressar a sua arte algo simplesmente fascinante. Um dos melhores trabalhos solos de um dos maiores gênios da história do rock progressivo. 

- Tiago Meneses -

Track Listing

1.German Overalls - 7:05
2.Slender Threads - 5:01
3.Rock and Rôle - 6:41
4.In the End - 7:24
5.What's It Worth - 4:00
6.Easy to Slip Away - 5:21
7.Dropping the Torch - 4:11
8.(In the) Black Room/Tower - 10:56

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Magenta - We Are Legend (2017)


Magenta compreende em seu line up oficial o virtuoso tecladista, produtor e compositor Rob Reed, o subestimado, mas talentosíssimo guitarrista, Chris Fry e a premiada vocalista Christina Booth. Nesse disco eles estão acompanhados pelo baixista que tem se apresentado regularmente ao vivo com a banda, Dan Nelson e pelo novo baterista Jon ‘Jiffy’ Griffiths, músico bastante respeitado na cena.

Particularmente a primeira vez que me senti atraído pela banda foi através do disco Seven, lançado em 2004 e que ainda hoje considero um dos melhores álbuns de rock progressivo desse século. A banda mostrou uma incrível capacidade de conjurar passagens influenciadas pelo Yes, me fazendo sentir muitas vezes a maravilha de sentimento criado pelos ingleses na primeira metade dos anos 70. Um aspecto que permaneceu constante em todos os trabalhos da banda foi a presença de belas melodias enfatizadas pela combinação única de composição de Reed em seus teclados, a excelência de Fry nas guitarras e a magnífica voz de Booth, dando um toque feminino diferenciado.

Mas depois de Seven a banda pareceu seguir algumas tendências de querer “tentar algo diferente”. Essa necessidade que era extremamente compreensível quando falamos de um músico do status de Reed, às vezes resultou em respostas variadas, particularmente quando sons mais pesados ou mais sombrios foram criados. Claro que continuou existindo muitos momentos excelentes em cada um dos discos gravados pela banda, mas ainda assim não tinham a mesma consistência (talvez até por Seven possuir um padrão alto demais de comparação).

Mas voltaremos a falar sobre o ano de 2017 quando os adeptos e ansiosos seguidores da banda voltaram a ser informado por Reed que depois de uma “volta às origens” em 2013 com o excelente The Twenty Seven Club iriam tentar novamente “algo diferente”. Por que fazer isso? Por que mudar algo que estava tão bom? Foi inevitável pensar que o que havia sido feito em 2013 não poderia ser melhorado com esse pensamento da banda. Nunca fiquei tão feliz em está enganado.

Sem muitas comparações com lançamentos passados, esse disco é brilhante de maneira particular, soando diferente e ao mesmo tempo familiar. Embora inovador e moderno, de alguma forma permanece fiel às raízes clássicas da banda e é imensamente satisfatório.

We Are Legend é composto por um épico de 27 minutos e duas canções mais curtas. Isso soa familiar? Sim, algo como aconteceu em Close to the Edge do Yes. Bem, enquanto a Magenta referenciou as influências dos 70 quando necessário, eles também procederam a inovar sem comprometer onde sentiram a necessidade de fazê-lo, e o resultado é espetacular.

O disco abre com “Trojan”, que apresenta uma história de guerra terrorista que atacam a humanidade do oceano. Uma viagem de vinte e sete minutos com várias partes distintas. Começa com sons estranhos de teclado e uma suave melodia que explode em uma passagem pesada de violão. Logo no começo, Griffiths faz com que sua presença seja bastante sentida nas baquetas, Reed e Fry já se completam naturalmente em instrumentações fortes. A introdução da voz de Booth na música apresenta um dos mais poderosos versos que a banda criou na carreira. Há uma intenção clara nesta música de dar a cada artista uma chance de brilhar onde em todas as oportunidades o músico em questão foi bem sucedido. Acima de tudo, a música tem todas as perspectivas que você deseja em um épico progressivo. Espere ternura e raiva, peso e leveza, alquimia sonora em passagens dando ideias vertiginosas no som, entrega teatral, partes distintamente diferentes juntas em um tema comum e uma forte atração em cada uma de suas emoções. A banda está na melhor forma e a precisão parece ser ordem do dia. Os preenchimentos de Griffiths são perfeitamente elaborados para encaixar exatamente no que Fry e Nelson estão tocando. Criações cuidadosamente preparadas sob a orientação principal de Reed (já que sempre foi o principal compositor da banda). O trabalho da guitarra de Fry, como sempre, é assustador. Ele realiza progressões de jazz com muita facilidade, e seus interlúdios de momentos acústicos são particularmente de muito bom gosto. É claro que seus solos elétricos são, sem exceção, surpreendentes. Também se sente que Nelson, que apesar de suas aparições regulares ao vivo com a banda, gravou com Magenta pela primeira vez aqui, atingiu seu passo com grande precisão em um som de muita imensidão. Chover no molhado é falar de Booth e Reed e no quanto são magníficos artistas que se entregam aos níveis mais altos como em todos os discos.

É fato que com uma música desse comprimento, a banda tem espaço para respirar, e a composição passa por muitos picos. O solo de guitarra principal é Pink Floyd puro, e atrairá sem rodeios qualquer devoto de David Gilmour. O interlúdio do meio dá a Booth o alcance para parecer um anjo. Sua voz versátil passa de lamento angustiado a carícia suave e lembra-nos que ela mais do que merece seus inúmeros prêmios e elogios. Griffiths fornece um solo de estilo roto-tom que é uma reminiscência de “Time" do Pink Floyd, que leva a uma seção em que Reed sincopa efeitos de teclado acompanhado do contrabaixo de Griffiths (possivelmente destinado a conjurar os robôs gigantes marchando para a frente). Isso, por sua vez, leva a um riff de guitarra que é a cara da banda e poderia ter sido feito em Seven. Finalmente, uma passagem de rock mais moderno leva a um fim que dá uma sensação de consolo e paz. Uma mistura do Magenta clássico unido a “algo novo” muito bem direcionado, onde depois de quase meia hora de música tudo continua bastante engrenado.

A segunda faixa, “Colours” é sobre Vincent van Gogh. Começa com um toque meio infantil em um som que parece sair de uma caixa de brinquedo antes de explodir em camadas veementes de música progressiva. Se a música é sobre a paleta de um gênio, as cores musicais pintadas pela banda evocam exatamente isso. Booth quase cuspiu as letras ao adotar a personalidade de Van Gogh, e ela evoca perfeitamente sua loucura. A seção do meio mais uma vez apresenta Fry no modo Gilmour completo e Reed canalizando Rick Wright. Isso teria algum problema? Falta de originalidade? Muito pelo contrário, na verdade não há absolutamente nada de errado com isso. O mesmo toque inicial retorna e se junta a uma acumulação angustiante de órgão, violões e vocais, tudo se contrapondo magicamente. A precisão mostrada por Griffiths mostra novamente que ele foi a escolha perfeita para assumir a bateria da banda. Como a vida de Van Gogh atinge o seu fim atormentado a banda acompanha o tempo em um lento turbilhão de loucura musical calculada, terminando em uma resignação silenciosa. “Colours” é outra ótima música que mostra a Magenta no seu melhor.

A terceira e última música da banda é “Legend” e que fala sobre os últimos sobreviventes na Terra. É uma música mais angular, uso de maneiras menos óbvias de suas influências e que faz com que a banda seja tão admirada. Mas isso também não faz com que seja vista com más olhos. Possui coros e versos que são uma cama perfeita para que a gama emotiva de Booth deite tranquilamente. Tem muito efeito de sons de ficção científica modernos, criado por artifícios de estúdio. O solo de Fry é belíssimo e o refrão de “Its Over” cantado por Booth é de levar as lágrimas. A passagem final, uma pastoral e em seguida triunfante marcha lenta até a felicidade faz o ouvinte lembrar os anos 70 e que levou muitos dos fãs da banda a se apaixonarem por ela. O encerramento dessa passagem termina o álbum em um clímax agradável.

Apesar de alguns problemas como a doença de Booth e mudanças na banda. Através de We Are Legend eles mostraram que estão aqui para ficar e, embora possa haver uma nova atmosfera, novos membros e alguns sons novos, a base do progressivo de muito bom gosto que é o que se espera do Magenta clássico, também não foi embora, mas tem apenas um novo toque. Mais uma vez estenderam-se além do que qualquer fã razoável pode esperar, e além entregar algo clássico que irá apaziguar os fãs intransigentes, também produziu algo capaz de fazer com que atinge um novo público e aumente seu número de seguidores. Lindo do começo ao fim.


- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.Trojan 26:09
2.Colours 10:47
3.Legend - 11:32

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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Camel - Mirage (1974)


Muitas vezes lembrada dentro do segundo escalão entre os admiradores menos ferrenhos do rock progressivo, Camel é uma banda de discografia bastante homogênea, tendo em álbuns como o Mirage, uma demonstração máxima de talento de todos os seus integrantes. Aqui, com sua formação clássica, podemos notar o grupo em seu apogeu criativo. A capa do álbum também causa um certo impacto por conta de levar o mesmo desenho trazido pelos maços de cigarros homônimos a banda. Isso se deve a um acordo comercial entre a banda e a marca e que inclusive gerou polêmica na época, obviamente por conta de ser visto como uma apologia ao fumo. Mas que não deu em nada e Mirage seguiu com uma capa única.

O álbum começa com, "Freefall". Leva uma veia psicodélica (principalmente por conta da influência de Peter Bardens, autor da canção). Dentro do que se encontra no álbum como um todo, é uma faixa que está abaixo da média, mesmo assim tem um bom trabalho principalmente de guitarra e órgão.

"Supertwister" é toda instrumental e a menor faixa do álbum, mas de uma grande beleza, além de uma demonstração de Latimer que havia faltado no primeiro disco do grupo, ou seja, seu talento que vai além da guitarra, mostrando-se um exímio tocador de flauta. Uma típica canção da escola Camel de rock progressivo. Relaxante, serena e extremamente bem cadenciada.

"Nimrodel / The Procession / The White Rider" sem sombra de dúvidas é um dos pontos altos do álbum. É uma faixa baseada na obra O Senhor dos Anéis. O primeiro som que ouvimos é Latimer brincando com sua guitarra e o som profundo de coro, depois temos uma flauta dançante aliada a uma marcha militar cadenciada por tambores. Tem uma melodia vocal bastante bela, o que não é muito comum em se tratando de Camel, já que suas melodias vocais normalmente não são a parte mais emocionante sobre a sua música. Algo a se destacar também é que possui um dos solos de teclados que considero dos com mais feeling de toda a história do rock progressivo, simplesmente arrasador. Uma canção que varia entre momentos mais agressivos e suaves, mas sem se perder hora alguma.

"Earthrise" é mais uma faixa instrumental. Eu acho essa música simplesmente extraordinária. Extremamente empolgante, todos os instrumentos são tocados de maneira enérgica. Mas pra sair da mesmice dos elogios principais (Latimer e Barden), aqui eu vou ressaltar a cozinha feita pelo baixo de Doug Ferguson e a bateria de Andy Ward. Simplesmente maravilhosa.

Fechar um álbum com chave de ouro. Está aí uma expressão vista poucas vezes sendo levada tão a sério como o Camel fez através da faixa, "Lady Fantasy". Inicia de maneira explosiva, com alguns teclados extraordinários e grandes acordes de guitarra de fundo. Após isso a maré baixa e a cadencia fica mais tranquila, sendo liderada pela guitarra de Latimer e o teclado de Bardens ao fundo. Os vocais são tranquilos e a cada quase toda frase é feita uma brincadeira na guitarra ou no teclado, mais ou menos como os bluesmen costumam fazer. Falando em solos, possui um exímio de Latimer no seu meio. Ferguson também merece ser mencionado aqui pelo destaque colocado em seu baixo em determinadas partes, assim como a bateria de Ward. Como não tem como deixar de mencionar, o final da música é o momento apoteótico. Uma melodia suave, slide guitar, marcação de pratos e baixo e uma atmosfera simples do teclado. Latimer então volta com o vocal e a instrumentação vai ganhando força até todos entrarem juntos
de maneira avassaladora. Com destaque mais uma vez a Peter Bardens e seu solo de teclado que firma o porquê de ser considerado um dos mais influentes tecladistas da história rock progressivo.


Mirage como eu disse, é o que de melhor foi feito pelo Camel com a sua melhor formação. Um disco simplesmente sensacional e que merece ser ouvido por qualquer pessoa e não apenas pelas que goste de prog rock, mas que gosta de um bom som 70's. Infelizmente embora a banda ainda esteja em atividades, ver essa formação é impossível pelo fato do genial Peter Bardens ter falecido em Janeiro de 2002. Mas a obra é atemporal e está aí pra quem quiser desfrutar.


- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.Freefall - 5:47
2.Supertwister - 3:20 
3.Nimrodel / The Procession / The White Rider - 9:12
4.Earthrise - 6:42
5.Lady Fantasy - 12:46

Bonus Tracks on 2002 Deram remaster: 

6.Supertwister (Live) - 3:14
7.Mystic Queen (Live) - 6:09
8.Arubaluba (Live) - 7:44
9.Lady Fantasy (Original Basing Street Studios Mix 1973) - 12:59

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Gordon Giltrap - Visionary (1976)


Gordon Giltrap é um músico que faz parte da cena folclórica britânica, tendo Bert Jansch como a sua principal influência. Após lançar quatro álbuns entre os anos de 1968 e 1973 onde contava com uma música simples (acompanhada somente do seu violão), decidiu tirar três anos de “férias” pra que pudesse reavaliar o seu caminho musical. Quando voltou em 1976, escolheu abandonar o estilo acústico solitário e passou a ter uma abordagem mais desafiadora, agora em companhia de uma pequena banda, com quem gravou esse disco em questão, denominado, Visionary.

Como resultado o que se tem é uma transformação radical em sua sonoridade, deixando de lado o folk cru e caindo de cabeça em uma linha sinfônica inspirada segundo palavras dele mesmo em desenhos, pinturas e poemas de William Blake. O álbum do começo ao fim é uma viagem através de uma música espacial influenciada por diversos artistas como Mike Oldfield, Yes, Moody Blues, Vangelis entre outros. Os arranjos sinfônicos dão uma grandeza no som de Gordon nunca antes atingido, o fazendo ir muito além de simples composições acústicas vistas em outrora.

Logo em sua abertura, repleto de teclados orquestrais que suportam uma melodia de violão acústico, o músico mostra o quanto excitante esse disco pode ser. Influências medievais estão em bastante evidência, instrumentos de sopro complementam os sons acústicos fazendo com que ao fecharmos os olhos, nos imaginemos caminhando sem rumo pelo verde de algum campo. A decisão de Giltrap de se reinventar como compositor e instrumentista foi um momento de verdadeira inspiração. Um álbum altamente recomendado para aqueles que gostam de progressivo sinfônico com uma inclinação acústica.

Posso está superestimando demais esse disco? Talvez, mas antes isso do que deixá-lo esquecido e perdido sem que nunca receba os holofotes que mostrem sua existência, para que assim, possa ser no mínimo mais reconhecido.


- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.Awakening - 3:01
2.Robes And Crowns - 1:23
3.From The Four Winds - 3:30
4.Lucifers Cage - 4:06
5.Revelation - 3:43
6.The Price Of Experience - 2:22
7.The Dance Of Albion - 1:57
8.The Tyger - 2:00
9.The Ecchoing Green - 2:01
10.London - 3:01
11.Night - 3:56
12.Movement One - 4:31
13.Movement Two - 4:41
14.Movement Three - 3:58
15.Movement Four - 3:09
16.Visionary (original version) 15:18



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quinta-feira, 22 de junho de 2017

Mike Oldfield - Return to Ommadawn (2017)


Quantos artistas 42 anos depois de lançar a sua obra mais grandiosa, teria coragem de literalmente fazer um retorno a ela através de uma nova viagem musical cheia de riscos devido a comparações que poderia sofrer caso não fossem bem sucedido? Mike Oldfield não apenas está retornando a Ommadawn, mas desfilando uma música requintada e de extremo bom gosto dividida em duas partes com mais de 20 minutos cada, onde não deixa a desejar a nenhum dos seus momentos mais inspirados de sua longa discografia.

Ainda que Mike Oldfield tenha lançado bons discos durante os anos, confesso que aguardava a muito tempo algo que trouxesse a carga musical e emocional desse seu mais novo trabalho. Algo que pudesse ser colocado facilmente como um dos seus melhores álbuns. Um retorno a instrumentos especialmente acústicos todos tocados por Mike Oldfield, dando uma incrível sensação pastoral e celta unida a uma típica música progressiva, intensa e sentimental. Ainda que obviamente existam algumas reminiscências de canções da terra distante é inegável que se trata também de algo novo e de atmosfera própria.

Em “Return to Ommadawn Pt 1” existe uma espécie de volta ao sentimento de suas músicas dos anos 70, da música que ao mesmo tempo que é sublime, acontece naturalmente pro ouvinte, o prendendo em uma sensação praticamente onírica. A impressão de estar diante de uma continuação é realmente incrível, desde as flautas às vozes no meio da faixa, grande diversidades de instrumentos sendo tocados por uma única mente que os organiza da maneira exata que deseja e obtém um resultado de beleza raramente vista em sua carreira. Só por essa parte eu já ficaria satisfeito com o disco por trazer novamente o melhor do passado de Mike Oldfield e misturá-lo em algumas de suas melhores ideias contemporâneas em muitos anos.

“Return to Ommadawn Pt 2” ainda consegue ser mais bela. Traz um trabalho de guitarra acústica logo na abertura que é magnífico, ainda mais quando ajudado por um leve coro de fundo e um piano de grande percepção surreal de serenidade. A faixa apresenta durante toda a sua extensão um ar de viagem vívida e positiva que possui melancolia e alegria esperançosa. Um refinamento equilibrado entre os instrumentos e graça nas transições entre as partes da composição, uma energia e fluxo de harmonia que envolve o ouvinte do primeiro ao último segundo através de uma música de sonoridade única e hipnotizante.

Depois da trágica perda do seu filho em 2015, Mike Oldfield, através de Return to Ommadawn parece ter encontrado novamente uma felicidade. Como o próprio título do álbum implica, não se trata de um trabalho especificamente novo ou com a ideia de atingir um público diferente, mas feito principalmente para que aqueles que conhecem bem o seu universo musical, sejam levados a um ambiente já bastante conhecido.


- Tiago Meneses - 


Track Listing

Return to Ommadawn, Part1 - 21:10
Return to Ommadawn, Part2 - 20:57

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