sexta-feira, 22 de julho de 2016

Gandalf's Fist - The Clockwork Fable (2016)


Um trabalho conceitual distribuído em três discos onde suas mais de três horas de duração me fizeram demorar até querer me aventurar a ouvi-lo. A história se passa na cidade subterrânea de Cogtopolis, um refúgio para a humanidade de alguma grande catástrofe que se abateu sobre a superfície. Radiação, invernos de 20 anos, e o desaparecimento do sol sugerem que pode ter havido uma guerra nuclear. Logo de cara percebi que se trata de um álbum muito divertido, com uma história cativante, excelentes atores de voz e belas músicas.

Interessante também foi o cuidado da banda em não economizar convidados pra deixar a história soando melhor. Ao invés de somente o vocalista Luke Severn encarar as vozes de todos os personagens com no máximo a ajuda do guitarrista Dean Marsh sendo a voz do povo de "Cogtopolis", a banda contou com outros convidados do meio prog pra incorporar cada um dos personagens principais como Arjen Lucassen (Ayreon), Dave Oberlé (Gryphon), Matt Stevens (The Fierce and the Dead) além de Blaze Bayley, sim ele mesmo, o ex-Iron Maiden deixando a obra mais autêntica. O álbum também conta com outras vozes fazendo as narrações.

Durante o álbum existem bastantes diálogos, mas caso quem o escuta não esteja de fato querendo ficar por dentro de todo o conceito, pode deixa-los de lado e se preocupar somente em ouvir as músicas que não estará deixando de apreciá-lo do mesmo jeito. Eu já acho que a parte dos diálogos com os atores contratados para o álbum funciona muito bem, mas vai de cada um.

Um álbum onde suas músicas são todas muito bem compostas com o tema recorrentes para cada um dos personagens da história. Os melhores momentos pra mim ficaram por conta da trilogia épica “Lamplighter” em que cada uma delas está em um dos discos. Mas também apresenta momentos com belas baladas em que “Eve's Song” é o maior destaque do álbum, beleza ímpar cantada por Melissa Hollick (que interpreta a personagem Eve) e que encerra o primeiro disco.

A verdade é que falar de algumas músicas deixando outras de lado é injustiça, tirando o épico que de fato destaco, com certeza é um álbum extremamente coeso, homogêneo e nivelado por cima o qual mesmo com mais de três horas de duração, empolga, cativa e por vezes emociona. Mas ainda assim vou arriscar mais uns destaques, "Shadowborn", "At the Sign of the Aperture", "Victims of the Light" e "The Bewildering Conscience of a Clockwork Child".

Enfim, a Gandalf’s Fist conseguiu com que um disco desse tamanho não soasse como pretensioso em uma tentativa frustrada de ser audacioso. Muito pelo contrário, a combinação de música, história contada e teatro de áudio resultaram em um trabalho extremamente belo. De fato por ser muito longo, não é algo que será ouvido como um todo com muita frequência, mas todos deveriam dar ao menos uma chance a si e entrar de cabeça nesse universo criado pela banda.

- Tiago Meneses - 


Track Listing

DISC 1 - Act I: The Day the Great Cog Failed:

1.The Traveller and the Lighter - 4:13
2.Shadowborn - 6:51
3.The Unminable Zone - 2:32
4.The Lamplighter (Parts I-VIII) - 15:57
5.In the Cavern of the Great Cog - 3:52
6.The Great Cog - 5:15
7.The Shadow Rises... - 5:52
8.The Capture (Including the Song for a Fallen Nightkeeper) - 6:51
9.Waiting for Exile - 7:05
10 Eve's Song - 8:27

DISC 2 - Act II: Of Men and Worms:

1.A Sermon for Shadowmas - 1:18
2.Victims of the Light - 9:10
3.Old Friends, New Enemies - 4:23
4.Ditchwater Daisies - 7:22
5.De-ranged - 3:30
6.The Lamplighter (Parts IX-XIII) - 12:13
7.In the Name of the Spy - 2:56
8.The Bewildering Conscience of a Clockwork Child - 10:20
9.Escape! - 3:25
10.A Solemn Toast for the Steam Ranger Reborn - 10:38

DISC 3 - Act III: From Burrows We Came:

1.The Oldest Flame - 1:58
2.The Lamplighter (Parts XIV-XV) - 2:58
3.Flight for the Surface - 2:10
4.The Climb - 12:24
5.At the Summit - 8:05
6.Fight for the Light - 8:08
7.Quest for Power - 1:12
8.At the Sign of the Aperture - 12:33
9.A Machine Serves His Purpose - 1:30
10.The Clockwork Fable - 5:13
11.Escape from Cogtopolis - 1:14
12.Through the Lens - 3:25
13.Epilogue - Oh Bugger! - 1:02

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Big Big Train - Folklore (2016)


Se existe uma espécie de trono do rock progressivo, não me resta mais nenhuma dúvida que em se tratando de bandas contemporâneas, uma das que devem sentar nele e com louvor é a Big Big Train. Mostrando estarem finalmente estabelecidos como um núcleo sólido de músicos dedicados, sua sonoridade exemplar tem encantado uma ampla quantidade de pessoas da comunidade progressiva mundo a fora e que reconhecem todos os seus elementos preciosos. Basta ouvir um disco como Folklore pra perceber que tudo é de primeira classe. Produção, melodias e letras muito bem encaixadas em uma entrega criativa que consegue ser natural e ao mesmo tempo de cair queixo. David Longdon está cada dia se tornando um vocalista referência, mantendo os seus traços “Gabriel/Collins”, mas ao mesmo tempo também mostrando o seu próprio estilo, sendo mais singular. Greg Spawton é um compositor extremamente inteligente em sua guitarra, Nick D'Virgilio não precisa de muita apresentação, um dos melhores bateristas do planeta, enfim, não tem necessidade de mencionar todos os músicos, atente-se apenas de que nenhum é um simples coadjuvante.

Os destaques no disco são muitos e enumerá-los pode me tornar injusto caso esqueça outros de igual grandeza, mas ainda assim, Solsbury Giant, por exemplo, merece menção, uma introdução obscura de violoncelo e cordas subjacente ao baixo e bateria pulsante, tendo depois uma chorosa guitarra influenciada nitidamente por Steve Hackett, assim como teclados “genesianos”. Outros momentos de destaque são, “London Plane”, música de uma veia pop, suave e de excelente instrumentação, tendo um interlúdio e que li sendo descrito brilhantemente por um crítico que não me recordo o nome agora como uma espécie de “briga de rua” entre Steely Dan e Jethro Tull. Além de incluir um solo de guitarra que é um verdadeiro deleite. “Wassail” é fortemente reminiscente do prog folk britânico moderno, tanto na parte desenfreada do órgão agitando à música como uma tempestade, quanto nos vocais de Longdon fazendo uns contrastes entre a serenidade pastoral e uma tristeza bluesy. Também possui um violino limpo que promove uma sensação bucólica. "Brooklands" é a faixa mais longa do álbum, com cerca quase 13 minutos, um desfile de música da mais alta qualidade, baixo e bateria sensacional, bem como uma série de pequenos solos de guitarra que deslizam confortavelmente pela canção, perfeitas intervenções de flauta e um vocal emotivo e enérgico de quem não apenas canta, mas sente dentro do coração todas as sensações que a música lhe passa.

Destacar apena quatro momentos de um disco que carrega um nível homogêneo nivelado por cima é muito pouco, eu sei disso, mas serve como uma pequena amostra do quão rico é essa obra. Sem me causar mais nenhuma surpresa, novamente o grupo preza em demonstrar todo o seu senso artístico em compor novas e belas músicas de forma única, tendo como resultado final um trabalho de alta qualidade. Embora Folklore possa não ser visto como um álbum revolucionário, com certeza é algo evolutivo. É soberbo a forma que os instrumentos são colocados em camadas, seja pela estrutura das composições ou até mesmo pela qualidade da produção. Um disco grandioso com potencial de crescer mais ainda a cada audição.


- Tiago Meneses - 


Track Listing

1.Folklore - 7:33

2.London Plane - 10:13

3.Along the Ridgeway - 6:12

4.Salisbury Giant - 3:37
5.The Transit of Venus Across the Sun - 7:20
6.Wassail - 6:57
7.Winkie - 8:25
8.Brooklands - 12:44
9.Telling the Bees - 6:02

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