sexta-feira, 15 de julho de 2016

Big Big Train - Folklore (2016)


Se existe uma espécie de trono do rock progressivo, não me resta mais nenhuma dúvida que em se tratando de bandas contemporâneas, uma das que devem sentar nele e com louvor é a Big Big Train. Mostrando estarem finalmente estabelecidos como um núcleo sólido de músicos dedicados, sua sonoridade exemplar tem encantado uma ampla quantidade de pessoas da comunidade progressiva mundo a fora e que reconhecem todos os seus elementos preciosos. Basta ouvir um disco como Folklore pra perceber que tudo é de primeira classe. Produção, melodias e letras muito bem encaixadas em uma entrega criativa que consegue ser natural e ao mesmo tempo de cair queixo. David Longdon está cada dia se tornando um vocalista referência, mantendo os seus traços “Gabriel/Collins”, mas ao mesmo tempo também mostrando o seu próprio estilo, sendo mais singular. Greg Spawton é um compositor extremamente inteligente em sua guitarra, Nick D'Virgilio não precisa de muita apresentação, um dos melhores bateristas do planeta, enfim, não tem necessidade de mencionar todos os músicos, atente-se apenas de que nenhum é um simples coadjuvante.

Os destaques no disco são muitos e enumerá-los pode me tornar injusto caso esqueça outros de igual grandeza, mas ainda assim, Solsbury Giant, por exemplo, merece menção, uma introdução obscura de violoncelo e cordas subjacente ao baixo e bateria pulsante, tendo depois uma chorosa guitarra influenciada nitidamente por Steve Hackett, assim como teclados “genesianos”. Outros momentos de destaque são, “London Plane”, música de uma veia pop, suave e de excelente instrumentação, tendo um interlúdio e que li sendo descrito brilhantemente por um crítico que não me recordo o nome agora como uma espécie de “briga de rua” entre Steely Dan e Jethro Tull. Além de incluir um solo de guitarra que é um verdadeiro deleite. “Wassail” é fortemente reminiscente do prog folk britânico moderno, tanto na parte desenfreada do órgão agitando à música como uma tempestade, quanto nos vocais de Longdon fazendo uns contrastes entre a serenidade pastoral e uma tristeza bluesy. Também possui um violino limpo que promove uma sensação bucólica. "Brooklands" é a faixa mais longa do álbum, com cerca quase 13 minutos, um desfile de música da mais alta qualidade, baixo e bateria sensacional, bem como uma série de pequenos solos de guitarra que deslizam confortavelmente pela canção, perfeitas intervenções de flauta e um vocal emotivo e enérgico de quem não apenas canta, mas sente dentro do coração todas as sensações que a música lhe passa.

Destacar apena quatro momentos de um disco que carrega um nível homogêneo nivelado por cima é muito pouco, eu sei disso, mas serve como uma pequena amostra do quão rico é essa obra. Sem me causar mais nenhuma surpresa, novamente o grupo preza em demonstrar todo o seu senso artístico em compor novas e belas músicas de forma única, tendo como resultado final um trabalho de alta qualidade. Embora Folklore possa não ser visto como um álbum revolucionário, com certeza é algo evolutivo. É soberbo a forma que os instrumentos são colocados em camadas, seja pela estrutura das composições ou até mesmo pela qualidade da produção. Um disco grandioso com potencial de crescer mais ainda a cada audição.


Track Listing

1.Folklore - 7:33

2.London Plane - 10:13
3.Along the Ridgeway - 6:12
4.Salisbury Giant - 3:37
5.The Transit of Venus Across the Sun - 7:20
6.Wassail - 6:57
7.Winkie - 8:25
8.Brooklands - 12:44
9.Telling the Bees - 6:02

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4 comentários:

  1. Muito bom mesmo.
    Faz me lembrar o Genesis. Valeu.
    Abraço e to ligado nos posts.

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    1. Com certeza. A principal escola do som da banda é a do Genesis.

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  2. É boa mas confesso que já to desistindo de procurar bandas novas com criatividade/arte setentista. Não quero ouvir bandas novas fazerem as mesmas coisas do passado, mas que explorem vários instrumentos/acordes, riffs entre outros atributos de Rock criativo. Mas obrigado pelo link com o trabalho!!!

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    1. Entendo e sempre estou atrás de bandas que são além do que simplesmente "cópias", mas algo complicado nisso tudo é de fato deixar-se perceber que determinada banda traz um som com cheiro somente de novo. Por mais que alguém o faça, haverá alguém remetendo a uma banda que seja dos anos 70, 80. Ao menos no rock progressivo que é a especialidade do blog isso vai sempre existir, por outros caminhos do rock, aí não posso falar. Mas volte sempre e participe, a porta está sempre aberta. Abraço.

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