terça-feira, 24 de maio de 2016

Yes - Magnification(2001)



Desde o álbum “Drama” de 1980, aqueles fãs mais exigentes da banda e que a viam como talvez a maior referência dentro do rock progressivo dos anos 70, e que ainda hoje é inspiração pra uma alta porcentagem de grupos que surgem pelo mundo todo ano, andavam meio desanimado com toda a produção basicamente pop (fora alguns lapsos de progressivo) produzida pelo Yes em um longo período. A chama começou a acender novamente só em 1999, quando o grupo desceu um pouco da inércia, pra se aventurar de novo mesmo que de maneira tímida por terrenos que a consagraram, fato que acorreu através do disco “The Ledder”. Mas sem dúvida alguma que com “Magnification" a banda reviveu, digamos assim. Quem não conhece o álbum também não precisa achar que irá de deparar com uma obra prima como outras lançadas em outrora, mas sem dúvida alguma é um disco de qualidade extremamente relevante. Uma curiosidade, eles não utilizaram um tecladista aqui, mas sim, uma orquestra conduzida pelo compositor Larry Groupé, no geral mais conhecido em trabalhar em trilhas de filmes.

A faixa de abertura e também homônima ao álbum, "Magnification", já define logo de cara todo o tom orquestral que se encontrará em no trabalho. Também possui momentos suaves, acústicos junto de guitarras elétricas e uma batida sutil. Logo de cara também nota-se pela primeira vez de maneira mais clara que a voz de Anderson começa a dar indícios de desgaste, mas é totalmente compreensível, levando-se em conta os anos que ele esteve sempre impecável seja em estúdio ou no palco. Uma boa música e uma forte abertura para o álbum.

A segunda faixa, “Spirit of Survival” traz em mente um rock de arena que nos remete a época da banda, “"Anderson Bruford Wakeman Howe". Chris Squire faz uma linha de baixo de destaque. As cordas orquestrais também preenchem as lacunas muito bem. Alan White cadenciando a bateria de forma redonda e enérgica e Steve Howe mostrando um excelente trabalho de guitarra, o que não chega a ser nenhuma novidade, sendo o destaque da música. Como ponto baixo acho que estão os backing vocals, acho que eles poderiam serem dispensados, mas também não chegam a comprometer tanto.

“Don’t Go” é sem dúvida alguma a parte mais inexpressiva do álbum, tanto que não lembro quando foi a última vez que eu ouvi “Magnification” sem que eu a pulasse. Mas pra não dizer que é uma música de todo o mal, possui um refrão cativante principalmente na parte final por conta de um bom trabalho de guitarra de Steve Howe. Mas sem dúvida é um ponto baixo no disco.

Aqui é onde pela primeira vez o trabalho orquestral liderado por Larry Groupé é mostrado de maneira pura e significativa. Em uma introdução de aproximadamente 2:20, podemos ser transportado pra introdução de algum filme. Uma passagem simples mas perfeita do baixo de Squire é tocada antes que Anderson entre com as primeiras frases até que toda a banda comece de fato a música. O trabalho de guitarra de Howe é intrincado, lentamente construído junto com as cordas em uma composição majestosa e melódico. Sem dúvida que esse é o exemplo perfeito de um som mais acessível e maduro do Yes. Uma maneira de mostrar que evoluíram desde aquela última década e mesmo que de maneira menos rebuscada, poderia soar progressivo e agradar fãs antigos e os que ganharam em outras frases.

A próxima faixa é “Can You Imagine”. Aqui na verdade trata-se de uma composição do XYZ, o infeliz projeto de Chris Squire e Alan White juntamente com Jimmy Page. É uma música curta, mas que você pode se maravilhar com o tom incrível dos vocais de Squire, que os lideram nessa faixa. A orquestra acompanha muito bem a banda com um belo pano de fundo. Também conta com uma incrível performance de Anderson fazendo muito bem os backing vocals. Acho apenas que poderia ter uma duração maior, a música não chega nem a 3 minutos.

Uma música do Yes que faz lembrar-me do Genesis em seu álbum “Wind & Wuthering”. Começa com uma guitarra acústica agradável, uma linha de baixo pulsante e novamente um belo tapete sonoro criado pela orquestra. Uma música bastante bem direcionada, de um início simples e que vai crescendo até atingir um final expansivo não apenas musicalmente, mas também liricamente.

"Soft of a Dove" é basicamente uma tranquila e agradável colaboração de Anderson e Howe. Contem também uma flauta que preenche muito bem a canção.

“Dreamtime” é maravilhosa. Tem uma bela introdução onde é lindo de ver como a guitarra funde com a orquestra. A música está cheia de estranhas melodias vocais, instrumentação agradável, lindas orquestrações alem de possuir em alguns momentos riffs por parte de Squire que pode ser colocados como um dos seus melhores em de todos os tempos. Notas graves maravilhosas. A faixa possui bastantes tempos diferentes, mas sempre se mantendo coerente e jamais se perdendo em seu caminho. A única parte negativa fica por conta do solo de orquestra em seu final que pra mim é completamente desnecessário e somente tira um pouco do brilho da composição. Ainda assim, uma música maravilhosa.

A próxima faixa é “In the Presence of”, sem sombra de dúvida uma daquelas composições que já saem do estúdio com potencial de se tornar um clássico. Essa é a primeira vez desde a sua abordagem mais pop que a banda nos faz ter a sensação não somente de se reinventar e buscar uma boa sonoridade como no resto do álbum, mas a de literalmente está de volta aos anos 70. Começa com Anderson acompanhado unicamente por um piano, depois uma sutil e requintada linha de baixo de Squire se une a ambos. Steve Howe faz um trabalho de guitarra slide simplesmente soberbo e que também merece total destaque. Possui excelentes coros e por mais que comece tímida, durante os seus mais 10 minutos de duração vai ganhando força e se abrilhantando. Um trabalho simplesmente exuberante.

O álbum encerra com, “Time is Time”. Uma canção que é uma espécie de tanto faz, sendo a mais curta de todas, possui uma melodia simples, sem muito a oferecer ou comprometer. Eu particularmente nem a teria colocado no álbum. Mas até que por outro lado a quem pode achar uma maneira sentimental e bonita de encerrá-lo.

“Magnification” com certeza fez com que a desistência para com a banda de muitos fãs que aconteceram durante os anos 80 e 90 fossem canceladas. Um trabalho extremamente digno e soando de forma tradicional como não se via a muito tempo. Trata-se de uma obra prima? Longe disso, mas sem dúvida alguma foi o ressurgimento de um dos maiores dinossauros da história do rock progressivo. 

Track Listing

1.Magnification - 7:15
2.Spirit Of Survival - 6:02
3.Don't Go - 4:27
4.Give Love Each Day - 7:44
5.Can You Imagine - 2:58
6.We Agree - 6:30
7.Soft As A Dove - 2:18
8.Dreamtime - 10:45
9.In the Presence of - 10:24
10.Time Is Time - 2:09 



Link nos comentários / Link on comments

2 comentários:

  1. https://mega.nz/#!uR52iChY!F4_EZDBi6vqlILYmIHHS3-x3z7gfMpm0dcd68Af0NG4

    ResponderExcluir
  2. Faaaaaaala, Tiagão El ProgRocker!
    Acho que esse comentário vai ser longo... rsrsrsrs
    Yes é uma banda de muitas encarnações. A cada mudança em sua formação (não foram poucas nesses mais de 40 anos...), como não poderia deixar de ser, alguma coisa no som deles muda. A entrada de Steve Howe foi a que provocou a primeira mudança mais radical, porque foi ali que eles se transformaram no ícone progressivo que conhecemos e amamos. Assim, produziram a perfeita trinca "The Yes Album", "Fragile" e "Close To The Edge".
    É certo que "90125" foi um marco radical também, com a banda metendo as mãos com força numa sonoridade mais pop. Eram os anos 80, todas as bandas antigas de prog fizeram o mesmo, mas, vendo em retrospecto, nenhuma delas obteve um resultado melhor do que o Yes. Mesmo no "90125" temos algumas músicas bem mais prog do que comerciais ("Changes", "Hearts"). "Tormato", de 78, também foi meio que uma tentativa de deixar o som da banda um pouco mais "palatável", um disco bem decepcionante.
    Mas isso de eles quererem tornar o som mais "palatável" ou "comercial" foi algo absolutamente necessário para a banda, porque eles estavam virando um clichê de si mesmos, mergulhados em excessos sonoros, como fizeram em "Tales From Topographic Oceans" e "Relayer".
    Da mesma forma, "Big Generator" mostra o mesmo excesso, mas dessa vez enfiando o pé na jaca do pop - pra mi um dos piores álbuns de todos os tempos, não só do Yes.
    Mas isso tudo foi bom, porque assim aprenderam a misturar os extremos e, pouco a pouco, atingiram um grau de equilíbrio musical que poucos grupos, ainda mais tão longevos, jamais conseguiram.
    "Union" e "Talk" são a prova disso, já que trazem tanto músicas mais "comerciais" quanto faixas puramente prog.
    Antes de "Magnification" lançaram "The Ladder", o mais progressivo desde "Drama" (para mim é uma perfeita mistura de "Going For The One" com "Talk") e, ainda, por mais que não seja assim um álbum "oficial", o estupendo "Keystudio" - esse, sim, na minha opinião, o melhor disco do Yes progressivo desde a década de 70, no mesmo nível de "Going For The One".
    É isso aí, para uma banda que durou mais que 40 anos, com tantas mudanças em sua formação e na sua sonoridade, seria impossível não ter seus altos e baixos, mas algumas coisas a banda sempre manteve em sua essência: a não conformidade, o destemor em se meter em caminhos diversos, a perseverança em se fazer boa música, independente de adversidades ou sucessos, a grata virtude de nos surpreender.
    Esse é o Yes, sempre positivo.
    Valeu, Tiagão.
    Aquele abraço.

    ResponderExcluir