sexta-feira, 15 de abril de 2016

Bacamarte - Depois do Fim (1983)



O ano era o de 1983, época que o rock progressivo por muitos especialistas estava dado como morto. A banda então através do disco de nome propício para a situação chamado, Depois do Fim, mostrou que talvez a chama do gênero tenha acalmado dentro da Inglaterra, seu principal reduto (e assim ficaria até o começo dos anos 90, apesar, claro, do surgimento de inúmeras bandas do chamado Neo-Prog), mas bandas de outros países estariam produzindo excelentes trabalhos. 

A música do Bacamarte é rica e sinfônica, com teclados maravilhosos e uma excelente flauta que ilumina as composições cheias de pompas. A banda tem suas maiores influência na escola italiana de rock progressivo, espelhando em bandas como, Locanda del Fate, Premiata Forneria Marconi e Quella Vecchia Locanda.

O álbum começa através de, "UFO", com alguns belos acordes de guitarras acústicas bem com a cara de grandes violonistas brasileiros do passado. A música move-se a uma espécie de serenata, adoçada por flautas Guarani. Depois a banda pega um balanço mais rock 'n' roll com um majestoso sintetizador. Contém outro movimento onde a cadencia destacada fica por conta do dedilhado de guitarra e passagens de teclado. A flauta em seguida volta a participar ativamente da música junto do sintetizador. Excelente começo.

"Smog Alado" mostra claramente influências da banda em uma linha perto de Jethro Tull, Camel e Emerson Lake & Palmer. Os vocais de Jane Duboc aparecem em uma espécie de estado de espírito renascentista (outro fator de influência), forte, decisivo, atraente. Parte final da música é muito sinfônica e cativante.

"Miragem" abre com algumas músicas orientais, logo substituídas por guitarras ácidas, que permeia a metade da faixa, até que uma flauta entoando uma bela canção é adicionado dando uma sensação deliciosa. O ritmo de guitarra anterior retorna até que a música chegue ao seu final.

A quarta faixa é "Pássaro de Luz". Uma canção montada especialmente para a voz de Jane Duboc, tem guitarras acústicas agradáveis, a sensação geral é pueril, sonhadora. Não a o que dizer, só que é um belo trabalho.

"Cano", mais uma curta canção do álbum, é o momento para os músicos mostrarem um pouco suas habilidades, embora a música pudesse ser maior para isso acontecer de forma mais impactante. De qualquer forma, o resultado final é bem satisfatório.

Então que é hora de ir de uma das músicas mais curtas para a mais longa do álbum através de, "Ultimo Entardecer". A faixa traz de volta a tendência sinfônica, soando como uma espécie de meio épico, acompanhado por letras filosóficas sobre morte, loucura, medo, esperança. Traz agradáveis sintetizadores, belas passagens de guitarra e maravilhosos seguimentos de piano. Os vocais de Duboc aparecem de maneira precisa como quem anuncia um diálogo entre os instrumentos.

"Controversia" abre com uma batida de bossa-nova notória, seguido de uma alquimia sonora que tem semelhança com uma jam session. De qualquer forma, nos dá uma sensação de ser um material pra ser de puro enchimento no álbum.

"Depois do Fim", música homônima ao álbum, é puramente sinfônica. O ambiente criado pela música é obscuro, vocais são sombrios, e a instrumentação é preciosa, enérgica, bem de acordo com o tema escatológico, o possível fim dos tempos, o apocalipse.

"Mirante das Estrelas", a faixa de encerramento, se encaixa bem porque resume todo o conteúdo do álbum, peça por peça, é como um quebra-cabeça que está sendo resolvido. Todas as melodias e acordes ouvidos ao longo do álbum é revivido de forma harmoniosa e divinamente. A parte melancólica e triste perto do final da música traz o desfecho em tom de serenidade e paz.

É isso, “Depois do Fim” é uma verdadeira joia dentro do rock brasileiro, sobretudo aos amantes de rock progressivo. Provavelmente o disco que melhor representa o Brasil dentro da crítica estrangeira em se tratando do gênero. Um petardo obrigatório. Incrível.

- Tiago Meneses - 



Track Listing

1.UFO - 6:26
2.Smog Alado - 4:11
3.Miragem - 4:54
4.Pássaro De Luz - 2:28
5.Caño - 1:59
6.Último Entardecer- 9:29
7.Controvérsia - 1:57
8.Depois Do Fim - 6:31

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3 comentários:

  1. Eu sempre achei que o título desse álbum é um bocado irônico, talvez propositadamente. O Bacamarte esteve bem ativo desde meados dos anos 70; cheguei a assistir a alguns ótimos shows deles no Rio nessa época. Com a chegada dos 80 e a debandada das bandas prog, o Bacamarte sumiu do mapa e muitos pensavam que eles tinha terminado as atividades. Mas graças à Maldita, a Rádio Fluminense FM, que não só tirou do limbo várias sons de bandas antigas (de tudo quanto é tipo de rock) como também nos apresentou bandas mais atuais, naquela época (início do 80, como o Marillion, por exemplo.
    Esse disco foi lançado com um selo de aval da Fluminense FM estampado em sua capa e um texto ótimo do Luís Antonio Mello na contracapa.
    Para mim Depois do Fim está entre os primeiros dos melhores discos de prog nacional e internacional.
    Valeu!!

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    Respostas
    1. Com certeza. Um álbum de qualidade simplesmente ímpar e provavelmente o disco nacional de progressivo mais conhecido fora das fronteiras do país entre todos os produzidos nos anos 80 e 70.

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  2. Acho excelente o trabalho de bateria do Marco Verissimo.

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