sexta-feira, 22 de julho de 2016

Gandalf's Fist - The Clockwork Fable (2016)


Um trabalho conceitual distribuído em três discos onde suas mais de três horas de duração me fizeram demorar até querer me aventurar a ouvi-lo. A história se passa na cidade subterrânea de Cogtopolis, um refúgio para a humanidade de alguma grande catástrofe que se abateu sobre a superfície. Radiação, invernos de 20 anos, e o desaparecimento do sol sugerem que pode ter havido uma guerra nuclear. Logo de cara percebi que se trata de um álbum muito divertido, com uma história cativante, excelentes atores de voz e belas músicas.

Interessante também foi o cuidado da banda em não economizar convidados pra deixar a história soando melhor. Ao invés de somente o vocalista Luke Severn encarar as vozes de todos os personagens com no máximo a ajuda do guitarrista Dean Marsh sendo a voz do povo de "Cogtopolis", a banda contou com outros convidados do meio prog pra incorporar cada um dos personagens principais como Arjen Lucassen (Ayreon), Dave Oberlé (Gryphon), Matt Stevens (The Fierce and the Dead) além de Blaze Bayley, sim ele mesmo, o ex-Iron Maiden deixando a obra mais autêntica. O álbum também conta com outras vozes fazendo as narrações.

Durante o álbum existem bastantes diálogos, mas caso quem o escuta não esteja de fato querendo ficar por dentro de todo o conceito, pode deixa-los de lado e se preocupar somente em ouvir as músicas que não estará deixando de apreciá-lo do mesmo jeito. Eu já acho que a parte dos diálogos com os atores contratados para o álbum funciona muito bem, mas vai de cada um.

Um álbum onde suas músicas são todas muito bem compostas com o tema recorrentes para cada um dos personagens da história. Os melhores momentos pra mim ficaram por conta da trilogia épica “Lamplighter” em que cada uma delas está em um dos discos. Mas também apresenta momentos com belas baladas em que “Eve's Song” é o maior destaque do álbum, beleza ímpar cantada por Melissa Hollick (que interpreta a personagem Eve) e que encerra o primeiro disco.

A verdade é que falar de algumas músicas deixando outras de lado é injustiça, tirando o épico que de fato destaco, com certeza é um álbum extremamente coeso, homogêneo e nivelado por cima o qual mesmo com mais de três horas de duração, empolga, cativa e por vezes emociona. Mas ainda assim vou arriscar mais uns destaques, "Shadowborn", "At the Sign of the Aperture", "Victims of the Light" e "The Bewildering Conscience of a Clockwork Child".

Enfim, a Gandalf’s Fist conseguiu com que um disco desse tamanho não soasse como pretensioso em uma tentativa frustrada de ser audacioso. Muito pelo contrário, a combinação de música, história contada e teatro de áudio resultaram em um trabalho extremamente belo. De fato por ser muito longo, não é algo que será ouvido como um todo com muita frequência, mas todos deveriam dar ao menos uma chance a si e entrar de cabeça nesse universo criado pela banda.


Track Listing

DISC 1 - Act I: The Day the Great Cog Failed:

1.The Traveller and the Lighter - 4:13
2.Shadowborn - 6:51
3.The Unminable Zone - 2:32
4.The Lamplighter (Parts I-VIII) - 15:57
5.In the Cavern of the Great Cog - 3:52
6.The Great Cog - 5:15
7.The Shadow Rises... - 5:52
8.The Capture (Including the Song for a Fallen Nightkeeper) - 6:51
9.Waiting for Exile - 7:05
10 Eve's Song - 8:27

DISC 2 - Act II: Of Men and Worms:

1.A Sermon for Shadowmas - 1:18
2.Victims of the Light - 9:10
3.Old Friends, New Enemies - 4:23
4.Ditchwater Daisies - 7:22
5.De-ranged - 3:30
6.The Lamplighter (Parts IX-XIII) - 12:13
7.In the Name of the Spy - 2:56
8.The Bewildering Conscience of a Clockwork Child - 10:20
9.Escape! - 3:25
10.A Solemn Toast for the Steam Ranger Reborn - 10:38

DISC 3 - Act III: From Burrows We Came:

1.The Oldest Flame - 1:58
2.The Lamplighter (Parts XIV-XV) - 2:58
3.Flight for the Surface - 2:10
4.The Climb - 12:24
5.At the Summit - 8:05
6.Fight for the Light - 8:08
7.Quest for Power - 1:12
8.At the Sign of the Aperture - 12:33
9.A Machine Serves His Purpose - 1:30
10.The Clockwork Fable - 5:13
11.Escape from Cogtopolis - 1:14
12.Through the Lens - 3:25
13.Epilogue - Oh Bugger! - 1:02



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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Big Big Train - Folklore (2016)


Se existe uma espécie de trono do rock progressivo, não me resta mais nenhuma dúvida que em se tratando de bandas contemporâneas, a Big Big Train é uma das que devem sentar nele e com louvor. Mostrando estarem finalmente estabelecidos como um núcleo sólido de músicos dedicados, sua sonoridade exemplar tem encantado uma ampla quantidade pessoas da comunidade progressiva que reconhecem todos os seus elementos preciosos. Basta ouvir um disco como “Folklore” pra perceber que tudo é de primeira classe. Produção, melodias e letras muito bem encaixadas em uma entrega criativa que consegue soar natural e ao mesmo tempo faz com que seja de cair o queixo. David Longdon está cada dia se tornando um vocalista referência, mantendo os seus traços “Gabriel/Collins”, mas ao mesmo tempo também mostrando o seu próprio estilo, sendo mais singular. Greg Spawton é um compositor extremamente inteligente em sua guitarra, Nick D'Virgilio não precisa de muita apresentação, um dos melhores bateristas do planeta, enfim, não tem necessidade de mencionar todos os músicos, atente-se apenas de que nenhum é um simples coadjuvante.

Sem me causar mais nenhuma surpresa, novamente o grupo preza em demonstrar todo o seu senso artístico em compor novas e belas músicas de forma única, tendo como resultado final um trabalho de alta qualidade. Embora “Folklore” possa não ser visto como um álbum revolucionário, com certeza é algo evolutivo. As camadas que são colocadas os instrumentos é um verdadeiro deleite sonoro, seja pela estrutura das composições ou até mesmo pela qualidade da produção. Um disco grandioso com potencial de crescer mais ainda a cada audição.

Track Listing

1.Folklore - 7:33
2.London Plane - 10:13
3.Along the Ridgeway - 6:12
4.Salisbury Giant - 3:37
5.The Transit of Venus Across the Sun - 7:20
6.Wassail - 6:57
7.Winkie - 8:25
8.Brooklands - 12:44
9.Telling the Bees - 6:02


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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Par Lindh Project - Mundus Incompertus (1997)


É certo que hoje novamente encontramos bandas boas de progressivo sinfônico em todas as partes do mundo e com grande facilidade, mas é certo que o movimento que nasceu e criou seus filhos de talentos mais pródigos no Reino Unido dos anos 70, havia perdido sua força durante a década de 80, época da aparição das infinitas bandas de Neo-Prog. O começo dos anos 90 foram pra que houvesse o renascimento de bandas desse seguimento, mas ao contrário do que poderiam se imaginar, as bandas estavam aparecendo principalmente mais em países como Itália e a Escandinávia. No geral as principais bandas e quase sempre primeiras a serem mencionadas nesse caso são as suecas Anglagard e The Flower Kings, mas tiveram outras que ajudaram nesse processo e uma delas com certeza é a Par Lindh Project.

Logo em sua abertura, "Mundus Incompertus", a faixa "Baroque Impression No. 1", mostra uma banda impregnada pela música clássica de Bach e Vivaldi, por exemplo, mas depois cresce no ouvinte, trabalhos primorosos de guitarra, passagens de violão, baixo com uma ruptura intrigante e claro, o órgão nervoso de Par Lindh soando bastante enérgico, dinâmico e inventivo. A segunda faixa do álbum, "The Crimson Shield" traz uma incrível carga emocional principalmente pelos vocais de Magdalena Hagberg que lembram a Annie Haslam do Renaissance, mas não simplesmente por serem femininos, mas pela própria linha da música e a forma que é feito o canto combinado. Possui também um trabalho de clavinet bastante agradável que é acentuado pelo mellotron. Linda música. A última é a faixa título do disco, um épico de mais de vinte e seis minutos. Uma composição extremamente maravilhosa e que em momento algum faz quem a ouve sentir um sentimento de tédio. Uma combinação incrível da característica de gigantes do progressivo como King Crimson, Emerson Lake & Palmer e Van Der Graaf Generator colocadas em uma única composição e com maestria. Começa com uma sonoridade leve através de uma voz feminina agradável, mas não demora muito pra mudar e mostrar várias outras facetas, torna-se agressiva, dinâmica sempre liderada por trabalhos impressionante de órgão e guitarra. A música suaviza novamente lá pela sua metade, mas depois volta com a energia que estava. Perfeita.

Um disco simplesmente irretocável e altamente recomendável. 

Track Listing

1.Baroque Impression No. 1 - 9:10
2.The Crimson Shield - 6:38
3.Mundus Incompertus - 26:43



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terça-feira, 24 de maio de 2016

Yes - Magnification(2001)



Desde o álbum “Drama” de 1980, aqueles fãs mais exigentes da banda e que a viam como talvez a maior referência dentro do rock progressivo dos anos 70, e que ainda hoje é inspiração pra uma alta porcentagem de grupos que surgem pelo mundo todo ano, andavam meio desanimado com toda a produção basicamente pop (fora alguns lapsos de progressivo) produzida pelo Yes em um longo período. A chama começou a acender novamente só em 1999, quando o grupo desceu um pouco da inércia, pra se aventurar de novo mesmo que de maneira tímida por terrenos que a consagraram, fato que acorreu através do disco “The Ledder”. Mas sem dúvida alguma que com “Magnification" a banda reviveu, digamos assim. Quem não conhece o álbum também não precisa achar que irá de deparar com uma obra prima como outras lançadas em outrora, mas sem dúvida alguma é um disco de qualidade extremamente relevante. Uma curiosidade, eles não utilizaram um tecladista aqui, mas sim, uma orquestra conduzida pelo compositor Larry Groupé, no geral mais conhecido em trabalhar em trilhas de filmes.

A faixa de abertura e também homônima ao álbum, "Magnification", já define logo de cara todo o tom orquestral que se encontrará em no trabalho. Também possui momentos suaves, acústicos junto de guitarras elétricas e uma batida sutil. Logo de cara também nota-se pela primeira vez de maneira mais clara que a voz de Anderson começa a dar indícios de desgaste, mas é totalmente compreensível, levando-se em conta os anos que ele esteve sempre impecável seja em estúdio ou no palco. Uma boa música e uma forte abertura para o álbum.

A segunda faixa, “Spirit of Survival” traz em mente um rock de arena que nos remete a época da banda, “"Anderson Bruford Wakeman Howe". Chris Squire faz uma linha de baixo de destaque. As cordas orquestrais também preenchem as lacunas muito bem. Alan White cadenciando a bateria de forma redonda e enérgica e Steve Howe mostrando um excelente trabalho de guitarra, o que não chega a ser nenhuma novidade, sendo o destaque da música. Como ponto baixo acho que estão os backing vocals, acho que eles poderiam serem dispensados, mas também não chegam a comprometer tanto.

“Don’t Go” é sem dúvida alguma a parte mais inexpressiva do álbum, tanto que não lembro quando foi a última vez que eu ouvi “Magnification” sem que eu a pulasse. Mas pra não dizer que é uma música de todo o mal, possui um refrão cativante principalmente na parte final por conta de um bom trabalho de guitarra de Steve Howe. Mas sem dúvida é um ponto baixo no disco.

Aqui é onde pela primeira vez o trabalho orquestral liderado por Larry Groupé é mostrado de maneira pura e significativa. Em uma introdução de aproximadamente 2:20, podemos ser transportado pra introdução de algum filme. Uma passagem simples mas perfeita do baixo de Squire é tocada antes que Anderson entre com as primeiras frases até que toda a banda comece de fato a música. O trabalho de guitarra de Howe é intrincado, lentamente construído junto com as cordas em uma composição majestosa e melódico. Sem dúvida que esse é o exemplo perfeito de um som mais acessível e maduro do Yes. Uma maneira de mostrar que evoluíram desde aquela última década e mesmo que de maneira menos rebuscada, poderia soar progressivo e agradar fãs antigos e os que ganharam em outras frases.

A próxima faixa é “Can You Imagine”. Aqui na verdade trata-se de uma composição do XYZ, o infeliz projeto de Chris Squire e Alan White juntamente com Jimmy Page. É uma música curta, mas que você pode se maravilhar com o tom incrível dos vocais de Squire, que os lideram nessa faixa. A orquestra acompanha muito bem a banda com um belo pano de fundo. Também conta com uma incrível performance de Anderson fazendo muito bem os backing vocals. Acho apenas que poderia ter uma duração maior, a música não chega nem a 3 minutos.

Uma música do Yes que faz lembrar-me do Genesis em seu álbum “Wind & Wuthering”. Começa com uma guitarra acústica agradável, uma linha de baixo pulsante e novamente um belo tapete sonoro criado pela orquestra. Uma música bastante bem direcionada, de um início simples e que vai crescendo até atingir um final expansivo não apenas musicalmente, mas também liricamente.

"Soft of a Dove" é basicamente uma tranquila e agradável colaboração de Anderson e Howe. Contem também uma flauta que preenche muito bem a canção.

“Dreamtime” é maravilhosa. Tem uma bela introdução onde é lindo de ver como a guitarra funde com a orquestra. A música está cheia de estranhas melodias vocais, instrumentação agradável, lindas orquestrações alem de possuir em alguns momentos riffs por parte de Squire que pode ser colocados como um dos seus melhores em de todos os tempos. Notas graves maravilhosas. A faixa possui bastantes tempos diferentes, mas sempre se mantendo coerente e jamais se perdendo em seu caminho. A única parte negativa fica por conta do solo de orquestra em seu final que pra mim é completamente desnecessário e somente tira um pouco do brilho da composição. Ainda assim, uma música maravilhosa.

A próxima faixa é “In the Presence of”, sem sombra de dúvida uma daquelas composições que já saem do estúdio com potencial de se tornar um clássico. Essa é a primeira vez desde a sua abordagem mais pop que a banda nos faz ter a sensação não somente de se reinventar e buscar uma boa sonoridade como no resto do álbum, mas a de literalmente está de volta aos anos 70. Começa com Anderson acompanhado unicamente por um piano, depois uma sutil e requintada linha de baixo de Squire se une a ambos. Steve Howe faz um trabalho de guitarra slide simplesmente soberbo e que também merece total destaque. Possui excelentes coros e por mais que comece tímida, durante os seus mais 10 minutos de duração vai ganhando força e se abrilhantando. Um trabalho simplesmente exuberante.

O álbum encerra com, “Time is Time”. Uma canção que é uma espécie de tanto faz, sendo a mais curta de todas, possui uma melodia simples, sem muito a oferecer ou comprometer. Eu particularmente nem a teria colocado no álbum. Mas até que por outro lado a quem pode achar uma maneira sentimental e bonita de encerrá-lo.

“Magnification” com certeza fez com que a desistência para com a banda de muitos fãs que aconteceram durante os anos 80 e 90 fossem canceladas. Um trabalho extremamente digno e soando de forma tradicional como não se via a muito tempo. Trata-se de uma obra prima? Longe disso, mas sem dúvida alguma foi o ressurgimento de um dos maiores dinossauros da história do rock progressivo. 

Track Listing

1.Magnification - 7:15
2.Spirit Of Survival - 6:02
3.Don't Go - 4:27
4.Give Love Each Day - 7:44
5.Can You Imagine - 2:58
6.We Agree - 6:30
7.Soft As A Dove - 2:18
8.Dreamtime - 10:45
9.In the Presence of - 10:24
10.Time Is Time - 2:09 



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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Farmhouse Odyssey - Rise of the Waterfowl (2016)



Em sua segunda experiência musical de uma carreira bastante verde, os estadunidenses da Farmhouse Odyssey já mostram uma evolução no seu som em relação ao já bom álbum de estreia, "Farmhouse Odyssey", de 2015. Formada no ainda próximo ano de 2012 por universitários de Arcata, California, a banda abraça um estilo de criação musical que visa a improvisação através de uma sonoridade orgânica, sinfônica, jazzy, psicodélica e inegavelmente original. Executam habilmente seus arranjos complexos com habilidade e precisão, sem nunca perder de vista a forte corrente emocional de cada canção.

O álbum começa com a faixa, "Daybreak". Possui uma cadencia tranquila até a sua metade com uma linha de baixo bastante marcante. Então há uma aceleração nos instrumentos apesar do vocal permanecer suave, algo que acontece por duas vezes durante a canção. Então que acontece uma quebra e um baixo assume o destaque até que é acompanhado por um solo de sintetizador. Uma música bastante interessante.

"Slumberless Sun" abre com um vocal muito delicado acompanhado por acordes de guitarra jazz antes dos aparecer por completa com uma influência de Santana. Então a banda volta para a seção vocal. Possui uma seção instrumental com bastantes teclados e uso de mellotron. Uma música que começa tímida, mas depois vai ganhando engrandecendo até o fim.

"Brain Song" começa em um estilo jazz 70's até mudar para um baixo agradável e sincopado unido a um ótimo uso de órgão e guitarra. Possui excelentes harmonias vocais. Musicalmente segue na linha jazz. Baixo, teclado, guitarra e bateria deslizam dentro de um ambiente jazzístico extremamente agradável.

"Calligraphy" começa através de uns acordes bluesy jazz de guitarra, arpejo e progressões de acordes antes que a banda se junte a ela pra novamente estabelecer mais uma música impregnada de jazz em sua instrumental. Sonoridade complexa de vocal lembrando a Adrian Belew. Durante a faixa várias bandas podem vir em mente, tais como Kansas, ELP ou mesmo Lynyrd Skynyrd, além de uma levada caribenha. Muito interessante.

"Space Revealed" faz a abertura com um piano sincopado, baixo sobre uma leve percussão. O Piano vai se tornando mais agudo e a guitarra executa algumas linhas melódicas ao estilo de Pat Matheny. Um ritmo jazz é estabelecido pelo piano antes que a guitarra entre como um zumbido. Os demais instrumentos juntam-se aos dois em um ritmo estranho e pulsante. Na sua metade a faixa mostra uma sonoridade fusion eletrônico 70's com um Fender Rhodes de personagem central da música. Também possui uma parte de pura técnica de bateria que é ligada a um exímio solo de jazz extremamente influenciado por Larry Coryell. Sem dúvida a melhor música do álbum.

"Shipwreck" mais uma boa música que não necessita que seja tecido maiores comentários. Faixa jazz-rock com o acréscimo de impressionante trabalho de mellotron sinfônico. Ótimo vocal tanto principal quanto os backing.

A próxima é uma faixa de nome enorme, "Speedbump Catalyst: Upon The Wheel, Blessing In Disguise, Energetic Tides, The Road Alone". Começa muito bem em um clima pastoral bastante europeu. Linda levada de piano e vocais bastante influenciados por Genesis. É a faixa mais longa do álbum com mais de quinze minutos, mas muito bem distribuídos musicalmente, sem furos. Sem sombra de dúvidas um jazz-rock de primeira grandeza, trabalhos de piano é o destaque. A faixa tem um final maravilhosamente bem arranjado em um trabalho de guitarra soberbo e trabalho de teclas quase que orquestrais tamanho o seu preenchimento.

"Safe Passage" uma simples e curta, porém bela peça de piano e mellotron.

"From The Night Sky" finaliza o álbum com uma deliciosa combinação de ótimos vocais, piano elétrico, mellotron e uma cozinha que é puro jazz por parte do baixo e bateria.

No fim das contas é um álbum bastante agradável, mas não chega a ser memorável a ponto de eu cantarolar alguma música após ouvi-lo. Ao mesmo tempo em que é uma música que às vezes impressiona, por outro apesar de bela, clama por algo mais. A banda ainda é muito nova e é nítido que buscam uma sonoridade onde todos os músicos se encontram em um denominador comum. Mas o mais importante que é o talento e capacidade pra isso eles tem de sobra, agora é somente esperar o próximo capítulo dessa história que eu espero que esteja apenas começando.

Track Listing

1.Daybreak - 6:29
2.Slumberless Sun - 4:29
3.Brain Song - 6:09
4.Calligraphy - 7:28
5.Space Revealed - 8:30
6.Shipwreck - 5:47
7.Speedbump Catalyst: Upon The Wheel, Blessing In Disguise, Energetic Tides, The Road Alone - 15:56
8.Safe Passage - 1:09
9.From The Night Sky - 4:12



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domingo, 8 de maio de 2016

Semiramis - Dedicato a Frazz (1973)



Semiramis foi uma das infinitas bandas "one-shot" de rock progressivo italiano dos anos 70. Bandas que surgiam, gravavam um excelente disco e depois simplesmente desapareciam. Combinavam vários elementos na sua sonoridade como o folk italiano, passagens pesadas de progressivo, música barroca, jazz, clássica, tudo bem dosado não se perdendo na sua alquimia sonora, sabendo sempre de onde vem e pra onde vai. As partes mais sinfônicas de teclado remetem quem os ouvem a bandas mais conhecidas da época, sejam italianas como Banco del Mutuo Soccorso e Premiata Forneria Marconi ou inglesas como Genesis e Yes. Uma curiosidade sobre o nome do álbum é que se trata de uma homenagem a eles mesmos. "Dedicato a Frazz" é uma dedicatória a eles, onde cada letra representa a inicial do sobrenome dos músicos: Paolo Faenza, Marcello Reddovide, Gianpiero Artegiani, Michele Zarrillo e Maurizio Zarrillo. Mas apesar disso, também é um disco conceitual, onde o fio condutor é sobre a vida de um palhaço, trabalhando em um circo, e sobre sua luta para sobreviver na sociedade.

Tenho que confessar que até mesmo em sua versão remasterizada de 2001, a produção do álbum deixa o resultado final comprometido, mas ainda assim, acaba sendo algo a afetar somente os mais perfeccionistas, nunca tive problema de lidar com esse álbum por conta disso.  Os vocais apresentados são excelentes, robustos. O jovem guitarrista Michele Zarrillo de apenas 16 anos na época mostra um trabalho surpreendente, enérgico tanto nas partes acústicas quanto nas partes elétricas, solos com muito sentimento, notas limpas, com certeza o grande destaque do álbum, os demais músicos também desempenham bem os seus papeis, mas nada fora do comum. Um álbum com um tipo de musicalidade que requer algumas audições para que seja apreciado de forma plena.

Outro ponto importante no álbum é o uso do vibrafone. Em contrapartida ao fato de não acrescentar muito peso, possui um tom fascinante e belo em meio a muitos dos caos em que a música do álbum se encontra. Uma sonoridade frágil que contribui em um incrível contraste com as partes mais enérgicas de guitarra principalmente. Ele é a bonança em meio a algumas tempestades, suavizando de maneira bela e repentina algumas passagens musicais.

Não existe uma dúvida que se trata de um álbum essencial pra qualquer coleção de rock progressivo italiano que se preze, ainda que não diria o mesmo que seja essencial pra todos. Semiramis através do seu "Dedicato a Frazz" e com músicos de no máximo 18 anos, escreveram seus nomes nas páginas mais nobres da história do rock progressivo produzido na terra da bota.

Track Listing 

1.La bottega del rigattiere - 6:01
2.Luna Park - 5:58
3.Uno zoo di vetro - 4:28
4.Per un strada affolata - 5:00
5.Dietro una porta di carta - 5:42
6.Frazz - 5:05
7.Clown - 4:34



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sábado, 7 de maio de 2016

Anubis – A Tower of Silence (2011)



“A Tower os Silence” é o segundo álbum dos australianos da Anubis. Um país que apesar de pouco conhecido por exportar bandas de rock progressivo, mostra que também possui o seu valor dentro do gênero. Como é costume da banda, a música é liderada principalmente por fortes guitarras e sintetizadores. Às vezes com assinaturas de tempos complexos e em outras vezes a melodia domina com uma progressão de acordes mais simples. O álbum possui paisagens sonoras de temas pungentes e também gloriosas e longas pausas instrumentais. A banda agracia o ouvinte com uma variação de tons tensos e menos tensos sob uma atmosfera sonora que varia o estilo entre o de bandas clássicas sinfônicas e bandas de Neo-Prog.

O álbum é conceitual onde o tema é sobre uma garota de 11 anos presa em um limbo e que viveu e morreu em um asilo para menores na Inglaterra do século 19. Então que muitos anos depois, um grupo de adolescentes invade um dos edifícios abandonados, mais precisamente na parte das enfermarias e começam uma sessão de um jogo levando à aparição da garota, que passa a contar sua vida, morte e sua incapacidade de passar para qualquer forma de vida após a morte. O álbum pode servir como uma metáfora sobre qualquer tipo de aprisionamento, seja depressão, perda ou doença terminal. O tema de ser apanhado entre dois lugares no desconhecido é o conceito central. No caminho, o álbum aborda a alienação, a divisão social entre ricos e pobres e até mesmo o próprio conceito de vida após a morte.

O álbum começa através de "The Passing Bell', uma peça épica simplesmente majestosa. Uma avalanche de estruturas magníficas, cheias de momentos ímpares e fluindo de maneira orgânica abrangendo muitas ressonâncias emocionais. Particularmente adoro a forma como a faixa muda os seus segmentos. Algumas passagens nos fazem remeter a King Crimson, outros momentos mais suaves a Pink Floyd, coros ao estilo Genesis de ser, enfim, mas sempre soando do seu jeito e jamais simplesmente emulando esse e/ou outros grandes medalhões. Todos os instrumentos executados de forma inspirada sob um vocal bastante emotivo. Mas vale destacar principalmente a partir de por volta dos treze minutos em que uma guitarra gilmouriana toma a frente em um solo lindo sobre um belo piano e a faixa finaliza em uma harmonia hipnotizante.

"Archway of Tears" começa com um delicioso trabalho acústico. Possui uns vocais limpos, apaixonados e vibrantes. Tem clara influência em bandas de neo progressivo como I.Q, Arena e Pendragon. Frases acústicas casam muito bem com o mellotron. Música de cadencia simples, mas não deixa de ser uma ótima faixa.

"This Final Resting Place" é uma música de melodia forte. Um órgão faz excelente cama de fundo. A faixa possui um som dinâmico que é gerado utilizando várias camadas instrumentais desde o já citado órgão, aliado a outros timbres de teclas e uma guitarra poderosa. Glockenspiel também da um toque agradável. Trata-se da música do álbum com maior reflexão sobre a morte.

"A Tower of Silence", música homônima ao álbum, é uma faixa melancólica com letras fortes sobre a tragédia da morte e do espírito que olha em silêncio para fora de sua torre invejando os seres humanos que vivem. Inicia com um bonito piano, uma guitarra sobre um órgão exuberante também dão o tom enquanto a percussão vai se moldando. Possui uma mudança de camadas de picking guitar e sintetizadores acústicos. A letra é sobre a forma que lidamos com a dor e como o tempo tem o poder de ameniza-la. É uma faixa de musicalidade bem dentro do conceito do álbum, onde sentimos a tristeza e reflexões de um espírito que está preso em uma tumba sepulcral e não é capaz de detectar os sentidos humanos. Uma canção assombrosa que tem o poder de crescer cada vez mais em quem a ouve.

A faixa mais curta do álbum é "Weeping Willow". Possui uma bela musicalidade, harmonias suaves. Possui uma melodia extremamente agradável principalmente por parte dos vocais quando cantados em camadas. Também carrega uma sonoridade space pontuada por   uma guitarra acústica e teclados atmosféricos.

"And I Wait for my World to End" inicia-se através de uma sonoridade espacial e que logo dá início a um forte riff de guitarra, um baixo pulsante alem da bateria enérgica em um tempo incomum. Tem uma melodia memorável em uma ponta incrível com guitarra distorcida e um vocal aos moldes aos do Roger Waters em sua maneira mais "maníaca" de cantar. O refrão gruda facilmente na cabeça. Excelente faixa.

"The Holy Innocent" é uma música de mudança métrica com um ritmo constante. Aqui é um lamento da protagonista implorando desesperadamente por ajuda devido ao fato de não conseguir ouvir uma voz que a chame e a leve pra um lugar melhor e somente consiga permanecer paralisada. Possui um piano lindo unido a uma guitarra igualmente bela que cria uma atmosfera extremamente melancólica. A música carrega uma mistura de Porcupine Tree com I.Q em determinadas partes. Sobre essa instrumentação forte os vocais emotivos de uma personagem que está presa e enterrada pra sempre em um mundo agoniante. A música termina com um solo de saxofone simplesmente sensacional, levantando a faixa a outro nível, trazendo sem sombra de dúvidas a parte mais bela de todo o álbum, transformando essa canção em um clássico da banda. A forma como o saxofone e teclado vão desaparecendo remete um pouco ao usado pelo Pink Floyd em Money. Um momento apoteótico.

O álbum finaliza com a faixa "All That Is". É uma suíte dividida em três partes. A primeira, "Light of Change", tem como instrumento dominante o mellotron até que entram riffs mais acentuados de guitarra e uma bateria esporádica. Também possui vocais reflexivos e um órgão hammond que complementam bem a música, alem de sintetizadores oníricos que conduz a faixa para a segunda parte. O segundo capítulo, "The Limbo of Infants", é a parte mais simples, possui uns vocais de boa cadência, enérgicos, pouco depois a música sofre outra quebra pra que entre na última parte. "Endless Opportunity" finaliza a faixa e o álbum. Possui ótimas entonações corais, lindas harmonias em crescente fazendo desse final algo espiritualmente edificante. Ótimo solo de guitarra seguido de um belo coral. Tudo soa como se finalmente os anjos tivessem chegado e libertado o espírito sepultado.

Um álbum belíssimo de narrativa extremamente condizente com sua musicalidade. “A Tower of Silence” é uma peça pouco conhecida, mas com potencial de se tornar um verdadeiro clássico do rock progressivo sinfônico.

Track Listing

1.The Passing Bell (Part I-VI) - 17:08
2.Archway of Tears - 5:45
3.This Final Resting Place - 8:28
4.A Tower of Silence - 9:57
5.Weeping Willow - 2:43
6.And I Wait for my World to End - 5:15
7.The Holy Innocent - 11:45
8.All That Is - 11:13



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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Khan - Space Shanty (1972)


Quando se fala de rock progressivo, mais precisamente da cena britânica de Canterbury, não existe nenhuma dúvida de que “Space Shanty”, único álbum lançado pela banda Khan, é uma das obras mais relevantes e influentes desse movimento. Formada por um time de peso, o super grupo era liderado pelo grande vocalista e guitarrista Steve Hillage, além de contar em sua formação com Nick Greenwood (baixista da Crazy World of Arthur Brown), Eric Peachey (baterista da Dr. K’s Blues Band) e o tecladista Dave Stewart (músico com passagens por Uriel, Egg, Hatfield and the North e National Health).

Esse único registro contém seis faixas compostas quase que inteiramente por Steve Hillage. Todos os quatro músicos trabalham de maneira bastante entrosada e inspirada. O álbum tem como seus principais ingredientes a guitarra de Hillage e o órgão hammond de Stewart. Embora seja um álbum em boa parte bastante metronômico, reto e seguindo um ciclo repetitivo em suas músicas, a banda também explode frequentemente em saídas instrumentais extensivas em uma interação formidável entre a dupla já citada. Um belo exemplo do início da cena de Canterbury.

O álbum começa através da música homônima ao disco, "Space Shanty". Tem seu início de forma que faz parecer que estamos ouvindo é o final da faixa, o vocal entra cantando de maneira tranquila. A banda então toda se junta em um tipo de rock clássico. Por volta de 1:27 acontece um excelente entrelaçamento entre órgão e guitarra. Também possui uma linha de baixo maravilhosa. Após essa parte a música entra em uma suave transição, após essa maneira mais lenta e bem cadenciada da banda, o ritmo fica mais rápido e sobre um impressionante solo de guitarra e linha de baixo dinâmica. A bateria sempre ajudando a acentuar a música. Então a música para e nisso acontece outro maravilhoso solo de guitarra que serve como uma transição para o próximo trabalho de órgão que mais tarde traz a música de volta a sua melodia original, digamos assim. Uma faixa de composição extremamente sólida. Órgão, guitarra, baixo e bateria preenchem seus espaços de forma única. O álbum não poderia começar melhor.

"Stranded" começa com uma simples guitarra acústica sendo tocada sobre a cama preparada pelo órgão. A linha vocal então surge em um ritmo ainda lento. Aqui também a linha de baixo é excelente. Tudo vai caminhando tranquilamente até quase os 3:00 de música, quando a faixa sofre uma transformação ganhando uma sonoridade mais enérgica liderada primeiramente por um solo curto de órgão. O baixo desempenha um papel muito importante nessa parte, pois ele define a atmosfera para o trabalho solo de guitarra. O vocal da banda então volta com o mesmo tipo feito na abertura da canção. Novamente tudo está soando bastante melódico com um belo vocal e arranjo. A faixa termina com uma transição para a canção de número três do álbum.

Agora a faixa é "Mixed up Man of the Mountains". Essa faixa é de abertura simplesmente linda. Guitarra repetida tocada junto de um suave órgão de fundo e um vocal bastante agradável. Então que a faixa entra em seu andamento com a banda desenvolvendo uma excelente melodia. Por volta dos 2:00 a faixa entra em um clima mais silencioso, apresentando um vocal sereno além de belos trabalhos de guitarra e órgão. Logo em seguida a música entra em um ritmo mais rápido com linhas de improvisações de baixo, guitarra e órgão. Um interlúdio maravilhoso. Uma influência extremamente jazzística. Destaque também para o coro vocal e o solo de guitarra durante a passagem final da música que é impressionante.

"Driving to Amsterdam" tem uma abertura sensacional e que mostra exatamente o que é a cena progressiva de Canterbury. Com um trabalho de qualidade ímpar do órgão aumentada ainda mais pelo preenchimento da guitarra. Abertura fantástica. A linha vocal que sucede na canção também faz um trabalho harmonioso excelente. A dupla órgão e guitarra mais uma vez são o carro chefe aqui, sempre muito bem acompanhados por uma bateria dinâmica e imponentes linhas de baixo.

"Stargazers" começa com uma composição de complexa combinação de trabalho entre todos os quatro instrumentos, órgão, guitarra, baixo e bateria. Tudo fica mais calmo quando surge o vocal com as suas primeiras frases. Nota-se aqui novamente grande influência de jazz, mas não aquele jazz cru e tradicional da época e apresentado por músicos de décadas anteriores como Miles Davis ou Ornett Colleman, mas o jazz que continha na musicalidade de outras bandas da cena de Canterbury como Egg, Hatfield and the North e National Health. Essa faixa possui umas pontuações bastante fortes e muitos segmentos.

O álbum finaliza através de "Hollow Stone". Trata-se de uma faixa suave e de linha vocal bastante agradável. Aqui não apenas nota-se influência jazz e sem perder uma levada de rock, como também existe algo de blues. Mesmo que tocados de maneira serena, órgão e guitarra novamente possuem solos belíssimos. Uma excelente faixa pra encerrar um não menos excelente álbum.

Sem sombra de dúvida que trata-se de uma verdadeira obra prima da cena progressiva de Canterbury. Ainda que o destaque esteja nas guitarras de Hillage e no órgão de Stewart, todos os quatro membros desempenham de maneira soberba o seu papel, as linhas de baixo de Greenwood e a bateria de Peachy se não fossem feitas da maneira que estão no álbum, o brilho não seria o mesmo. Uma pena ser daqueles álbuns pouco conhecidos e por isso não possui em catálogo quase nenhum lugar. Mas os japoneses sempre ajudam as pessoas nessa questão e tem uma versão de 2004 inclusive com duas faixas extras, onde uma trata-se da inédita, “Break The Chains”, e a outra é uma versão alternativa da faixa, “"Mixed up Man of the Mountains". Sem dúvida alguma um álbum que vale cada segundo dos seus pouco mais de 46:00. 

Track Listing

1.Space Shanty - 8:59 
2.Stranded - 6:35
3.Mixed Up Man Of The Mountains - 7:14
4.Driving To Amsterdam - 9:22
5.Stargazers - 5:32
6.Hollow Stone – 8:16



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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Jethro Tull - Thick as a Brick (1972)



Certo que existem muitas características que acompanham bandas que fazem rock progressivo, mas sem dúvida alguma duas das principais delas são a capacidade de fazerem álbuns conceituais e de desenvolverem épicos (canções que tem uma duração maior do que a média e costumam narrar uma história). “Thick as a Brick” contém ambas dessas características.

O enredo é sobre um garoto fictício chamado Gerald “Little Milton” Bostock que escreve um poema complexo para uma competição, mas que é desqualificado pelos juízes sobre o pretexto de ter usado uma palavra que não é dita claramente em momento algum do álbum, mas que deixa subentendido que trata-se de uma expressão de 4 letras. Mas a preocupação está ligada ao poema por inteiro, com a sua moral e toda a temática forte abordada nele. Por isso decidem dar a vitória a uma garotinha de 12 anos que escreveu algo bem mais simples sobre ética cristã chamada “ele morreu pra salvar as crianças pequenas”. Enfim, a temática de “Thick as a Brick” gira em torno da influência negativa da sociedade sobre as pessoas, de maneira a não permitir que elas pensem por si próprias, como tentou o jovem Geral Bostock.

Pode ser visto como um tema simples e engraçado, mas trata-se de uma sátira ferrenha sobre a hipocrisia da sociedade britânica, que muitas vezes se esconde atrás de uma falsa moral pra evitar falar de temas polêmicos que eles sabem que são verdadeiros, mas querem mantê-los na obscuridade.

“Thick as a Brick” também contém uma das melhores capas da história. A apresentação original do álbum é impecável. São 12 páginas simulando o St. Cleve Chronicle (um pequeno jornal da cidade), que incluem as letras, a história toda, créditos e até mesmo uma acusação de estupro contra o personagem Little Milton por uma menina mais velha.

Um álbum que é confeccionado com tamanho cuidado em todos esses aspectos, musicalmente não poderia ter um resultado final inferior a brilhante, magnífico. Lindas peças acústicas medievais, tanto por parte dos violões quanto dos teclados. Partes mais pesadas que nos remetem ao Hard Rock, influências folclóricas. Mas considero presunção da minha parte querer descrever em palavras uma obra tão magistral quanto “Thick as a Brick”. Mas vale destacar também obviamente Ian com a sua tradicional flauta e uma maneira ímpar de interpretação vocal e belas ideias no violão. Mas sem dúvida, John Evans é a grande surpresa, os teclados são completos e carrega o peso de todo o álbum, e não uma nota redundante ou sons desnecessários, tudo está certo em seu lugar.

Martin Barre também tem participação crucial, especialmente nas partes pesadas quando sua guitarra acrescenta personalidade e força para a música. Barriemore Barlow nas baquetas é sempre rigoroso, embora ele não brilhe, executa o que é necessário para manter a seção rítmica com o baixo de Jeffrey Hammond que faz um excelente apoio.

Mais uma vez eu me recuso a fazer uma longa descrição da música, porque seria injusto falar de movimentos, influências, pontos altos e etc porque "Thick as a Brick" é o álbum, Jethro Tull estava em seu auge e ninguém pode descrever de maneira razoável que seja 43 minutos de uma verdadeira obra prima como essa, não de uma forma que faria justiça real.

As letras são de fato o texto do poema de Gerald "Little Milton" Bostock (que é creditado como co-autor, piada de Ian) e merecem ser ouvidas com atenção especial porque são muito complexas e tocam em assuntos muito controversos.

Não há muito mais a dizer, simplesmente porque "Thick as a Brick" na minha visão é um dos trabalhos que entram no pequeno rol de discos perfeitos, se você ainda não ouviu, você está perdendo um dos álbuns mais fundamentais da história do rock progressivo e uma verdadeira obra prima que deve ser de propriedade de todo mundo que tenha um mínimo de apreço pelo estilo.

Track Listing

1.Thick As A Brick - Part 1 - 22:39 
2.Thick As A Brick - Part 2 - 21:05


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terça-feira, 3 de maio de 2016

Anima Mundi - The Way (2010)



Anima Mundi é uma banda que já merece a sua atenção unicamente por se tratar de uma banda cubana de rock progressivo. Mas muito mais do que simplesmente o fator geográfico, merece uma menção por aquilo que de fato mais importa, o seja, a música apresentada. “The Way” trata-se do seu terceiro álbum e sem sombra de dúvida sua obra mais ambiciosa e de resultado mais belo. São um total de 4 faixas distribuídos em quase 60 minutos de músicas executadas com extremo bom gosto.

A jornada de "The Way" se dá início através da faixa "Time to Understand". São cerca de quatorze minutos de uma verdadeira aula de musicalidades impregnadas de tendências sinfônicas. A banda mostra uma verdadeira gama de sons, misturando vários tipos de ritmos e humor em uma execução musical onde é mais do que evidente que estamos ouvindo músicos estudados, treinados e acima de tudo, talentosos. Dentro do rock progressivo sinfônico é óbvio que exista um grande interesse nos trabalhos de teclados. A tecladista Virginia Peraza faz um trabalho simplesmente soberbo. Em meio a toda essa variação que a música possui o ouvinte ainda é presenteado com um solo final de guitarra extremamente belo e de muito feeling.

"Spring Knocks on the Door of Men" é um épico com cerca de 26 minutos, logo, é uma faixa que deve ser apreciada de forma atenta, pra assim, o ouvinte captar melhor cada momento que é o dessa viagem sonora. Seu começo já mostra uma passagem instrumental suave e encantadora liderada primeiramente pelos teclados e depois por um ótimo trabalho de guitarra. Após a música ficar em um ar mais atmosférico o vocal aparece dando a faixa uma nova direção. É importante deixar claro e pra evitar ser injusto que apesar de novamente os destaques estarem na maioria das vezes através das guitarras e teclados, bateria e baixo também executam suas funções com maestria e vale a pena abrir bem os ouvidos e valorizar cada um dos músicos envolvidos. A faixa também possui uma passagem instrumental pouco antes da sua metade que faz com que o ouvinte caso esteja envolvido na faixa seja transportado a outro mundo, um lugar onde reina a paz, o ar é puro e os campos verdes imperam. A explosão sonora causada pela orquestração criada pelo teclado constrói uma nova atmosfera e finalizam o momento mais belo de toda a canção. Não basta apenas criar uma música desse tamanho, tem que saber fazer com que soe agradável e em momento nenhum seja vista como uma obra arrastada. "Spring Knocks on the Door of Men" é tudo isso e muito mais, desperta uma alquimia de sons, várias emoções, humor. Uma suíte do jeito que deve ser e que ao menos comigo, obteve bastante êxito no seu resultado final. Sensacional pra dizer o mínimo.

"Flying to the Sun" começa através de um mellotron que causa até um certo arrepio. A banda então entra na música de forma completa. Tem uma ótima linha de baixo e uma base sinfônica bastante criativa. Destaque também para as guitarras que sucedem uma linha coral dos teclados por volta do meio da canção. Ainda sobre os teclados ele é responsável por uma quebra de humor na faixa e que a dá uma espécie de ar de filme de terror. O clima de tensão e nervosismo criado é quebrado para que a faixa termine com a levada que cominou a sua primeira metade.

O álbum finaliza através da faixa "Cosmic Man", música mais curta de todo o álbum, ainda que tenha pouco mais de 8 minutos. Confesso que tem um começo que não me cativou tanto, não que isso me faça dizer que é ruim, mas soa muitas vezes repetitivo demais. Mas nas partes instrumentais da segunda metade da faixa as coisas novamente soam surpreendente como vinha acontecendo durante todo o álbum. Um trabalho sinfônico belíssimo, um ótimo trabalho de guitarra e uma cozinha consistente que permanecem assim até irem desaparecendo por completo fazendo “The Way” chegar ao fim.

Com certeza um álbum que pode prendê-lo por um bom tempo e que venha a lhe arrancar sensações diferentes a cada audição.

Track Listing

1.Time To Understand - 13:59
2.Spring Knocks On The Door Of Men - 26:32
3.Flying To The Sun - 9:33
4.Cosmic Man - 8:18



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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase. (2015)



Que Steven Wilson é um músico mais do que consagrado pelas suas obras criadas e quase sempre bem aceitas ao longo dos anos não é segredo pra ninguém. Com uma carreira solo até o momento bastante rica, teve em seu álbum anterior, “The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)” (2013), pra muitos, o ápice criativo entre tudo já criado por ele até hoje. Com isso, era inevitável que ao ter seu mais novo álbum em mãos, “Hand. Cannot. Erase.”, minha expectativa por mais um grande trabalho fosse bastante grande, assim claro, como o medo de me decepcionar. No fim das contas, uma expectativa exagerada e um medo desnecessário.

“Hand. Cannot. Erase” trata-se de um álbum conceitual onde o fio condutor é basicamente sobre a história verídica de uma mulher que quis se isolar do mundo em Londres até o dia de sua morte. Mas ninguém sente sua falta, apesar de possuir familiares e teoricamente, amigos. Mas como acontece com várias histórias verídicas, não existe uma versão 100% certa, então Steven Wilson quis criar uma versão dele para a personagem, colocando inclusive seus sentimentos e emoções na mesma. O álbum possui alguns elementos pop bastante encantadores, na linha dos que podemos encontrar em "In Absenia" do Porcupine Tree, muito bem alinhado a algumas levadas de sonoridades eletrônicas e outras de metal. Um tipo de multiplicidade sonora que pode ser arriscada, fazendo com que no fim das contas o álbum soe de forma dissonante. Mas é algo com que o ouvinte não deve se preocupar, pois a maneira que a história é contada faz com que juntas, as faixas criem uma bela dinâmica entre elas.

"First Regret" dá início ao álbum através de um bonito piano eletrônico. São somente 2:00 minutos de duração e serve mais como uma ponte para que o álbum possa de fato começar.

Logo na segunda faixa, encontra-se uma das minhas canções favoritas. "3 Years Older" desenvolve-se gradualmente, varia entre instrumentais de belas e calmas passagens acústicas a outras executadas com mais furor. Porem em ambos os casos com o uso de riquíssimas melodias.

"Hand Cannot Erase" é uma canção puramente pop. Mas não é exatamente esse o motivo que a faz ser a faixa mais fraca do álbum (ainda que não a definisse como ruim). Mas é que não diz muita coisa, uma simples música de tocar em rádio que me faz questionar porque ser essa a que leva o nome do disco.

"Perfect Life", uma música de agradável atmosfera e que conta em seus dois primeiros minutos com a participação de uma narrativa feita pela atriz Katherine Jenkins. Depois é a vez do vocal de Steven Wilson mostrar-se na canção, onde é repetido inúmeras vezes somente, "we have got we have got the perfect life", mas pra que a faixa não fique maçante, há uma grande variação nas harmonias. Pode não ser uma faixa a agradar logo de cara, mas com o tempo pode cair nas graças do ouvinte.

"Routine" sem dúvida é outro dos pontos altos do álbum. Tem seu início através de um vocal triste e sereno de Steven Wilson, interpretando muito bem o sentimento do seu personagem que está preso a uma rotina constante de tarefas. A música em si é bastante densa e encaixa como uma luva nas letras. Conforme as coisas vão se cadenciando, ganham ritmo e energia até que Ninet Tayeb entra com seus vocais. Alcançando seu ápice através de uma sonoridade mais pesada unida a gritos de angustias. Uma faixa de instrumental forte e de letra que necessitava de alguém que tivesse bastante capacidade em expressar a gama complexa de emoções exigida. E foi o que de fato aconteceu.

Bom, se as pessoas estão prestando atenção em algo mais do que somente na música em si, já nota-se que a mulher se encontra em total isolamento, sem um reles contato com quem quer que seja. Quanto a próxima faixa, "Home Invasion", tem em sua sonoridade uma levada mais grosseira se comparada com boa parte do álbum, de introdução pesada com excelentes guitarras e teclados. Destaque também para os vocais. Para aqueles que adoraram o seu álbum anterior, aqui e na próxima faixa serão os momentos onde mais se notarão seus elementos presentes.

"Regret # 9" é uma música instrumental que possui a introdução através de um belo e introspectivo sintetizador. Mesmo sem nenhuma letra, a faixa é exatamente o que o álbum precisava no momento. Por mais que o álbum seja conceitual sobre a história de uma mulher, aqui o trabalho instrumental nos diz mais do que palavras. Possui também uma guitarra executada de maneira notável. E como dito, junto da anterior, faz o ouvinte relembrar o disco, “The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)”.

"Transience" é uma música acústica bastante agradável em que ao mesmo tempo faz com que o álbum mude de direção em sua sonoridade, pode servir de interlúdio para o épico que está por vir.

"Ancestral" é o épico do álbum, desempenhando muito bem o seu papel. Começa de uma maneira obscura e cheia de efeitos eletrônicos. A música vai sendo construída gradualmente até um excelente dueto entre Wilson e Ninet. Então que a faixa é seguida pela parte instrumental mais longa do álbum (em torno de 7 minutos de duração). Esta seção talvez seja a mais Metal (pesada) que Wilson fez em uma única canção desde criações no álbum "Fear Of A Blank Planet" da Porcupine Tree, mostrando inclusive que segue bastante afiado nessa arte. Não vou deixar de dizer que existe certa abundância musical nas voltas e mais voltas na instrumental, talvez um pouco menor a deixaria mais concisa. Mas também não chega a ser algo que tire o mérito alcançado na música.

"Happy Returns", essa música eu confesso que demorei até achá-la agradável. Inicialmente a via somente como uma balada pop que nada me dizia, mas depois dentro de toda a história captei uma boa dose de emoção e uma instrumental que casa bastante com os vocais emotivos de Wilson e o coral de fundo. Conforme o álbum vai chegando em seu desfecho, nota-se que a tendência é terminá-lo com um estado de espírito muito mais esperançoso.

"Ascendant Here On." é mais uma faixa curta (a menor do álbum com menos de 2:00). Na verdade trata-se somente de uma atmosfera criada através de um teclado pra encerrá-lo.

Evitando comparações com qualquer uma criação de Steven Wilson até aqui, "Hand. Cannot. Erase." é sem dúvida alguma um grande registro. Cada canção tem a sua maneira de ser distintiva e envolvente. É um álbum com poucas falhas, alem de possuir ideias novas, modernas, enfim. Uma pena foi o músico não ter aproveitado mais a convidada de bela voz, a cantora israelense Ninet Tayeb. Com certeza, mais um grande trabalho de uma mente que mostra ainda ter muito a oferecer aos fãs.


Track Listing

1.First Regret - 2:01
2.3 Years Older - 10:18
3.Hand Cannot Erase - 4:13
4.Perfect Life - 4:43
5.Routine - 8:58
6.Home Invasion - 6:24
7.Regret #9 - 5:00
8.Transience - 2:43
9.Ancestral - 13:30
10.Happy Returns - 6:00
11.Ascendant Here On... - 1:54



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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Renaissance - Scheherazade & Other Stories (1975)



Às vezes me pego perguntando a mim mesmo sobre o que chamamos de rock progressivo sinfônico. Bom, sem sombra de dúvidas que as duas mais importantes nessa questão são Yes e Genesis, mas não creio que existe uma banda que consiga fazer essa definição soar de forma tão coesa e certeira como é o caso do Renaissance. A voz operística de Annie Hasslam é algo totalmente único no mundo musical e representam por si só o que a palavra sinfônica deve significar. E com certeza encontra-se em sua melhor forma em “Scheherazade & Other Stories”.

Renaissance é uma banda que sempre foi mais calcada em piano e vocais com arranjos elaborados, mas às vezes um pouco leve em comparação com a maioria das bandas de progressivo 70's, não fraco ou sem impacto, mas mais suave, apenas. Usando uma comparação com o boxe, se Genesis, Yes ou Emerson Lake & Palmer, são pesos pesados que podem matar o oponente com o primeiro (golpe) acorde, Renaissance é como um dos médios, que também precisa de estilo e elegância para vencer a luta.

“Scheherazade & Other Stories” trata-se de um álbum conceitual baseado nos contos árabes das 1001 noites. A base musical da obra está na suíte sinfônica, “Scheherazade” do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov. A história que é contada no álbum é sobre Scheherazade, uma bela jovem, condenada a se tornar mais uma de suas ex-esposas, já que o mesmo, com medo de traição tinha o terrível hábito de decapitá-las após a noite de núpcias. Aí é que entra a barato da história, pra escapar desse destino que todas as suas outras mulheres tiveram, ela contava uma história para o sultão, ou melhor dizendo, mais um capítulo de uma história que ela jamais terminava, deixando ele assim curioso, e por consequência poupava sua vida, ao menos a princípio, pois ficava interessado no capítulo seguinte que ela tinha pra contar. Fez isso por incríveis 1001 noites, quando enfim, o sultão desistiu da sua intenção, fazendo de Scheherazade, sua rainha. E é com base nesse conceito que ““Scheherazade & Other Stories” foi desenvolvido.

"Song of Sheherezade" um épico de 24 minutos, é tão impressionante que as pessoas por conta dele costumam esquecer o resto do álbum, algo bastante injusto, porque o álbum pode ser visto como uma obra bem equilibrada e todas as faixas tem seus próprios méritos. Mesmo que realmente no fim das contas não tenham a grandeza daquela que fecha o trabalho.

O disco começa com, “"Trip to the Fair"”. Inicia-se com uma impressionante introdução de 3 minutos de piano sendo executado com extremo bom gosto, adicionado a uma leve mistura de coro e percussão, de repente é seguido pela maravilhosa voz de Annie. Talvez o problema com esta canção é que após a forte, enérgica abertura, a gente espera algo mais, algo mais poderoso, mas a banda muda o sentido da música em direção a uma melodia suave a deixar o ouvinte em um mundo onírico, com alguns acordes de jazz que criam uma atmosfera viajante. Ao ouvinte mais exigente pode ser tratada como uma canção regular. Mas ainda assim, um grande começo de álbum.

"The Vultures Fly High" tem um saldo melhor, começa forte e termina da mesma maneira, menos sinfônica e mais orientada apenas em uma linha rock do que o resto do álbum, tem uma levada mais forte, rápida. Os membros da banda mostram que eles são capazes de fazer boas e curtas canções.

"Ocean Gypsy", uma música mais suave, onde novamente os vocais de Annie são o destaque, com a participação evidente do resto dos membros, essa música é mais previsível do que todas as outras faixas, mas também bastante encorpada, deixando bem claro que Renaissance é uma banda completa, não apenas um grupo de piano e voz.

O álbum encerra com "Song of Sheherezade", sem dúvida, o trabalho mais elaborado feito pela banda, um épico que tem tudo, exímios pianos, uma orquestra extremamente sólida, coro, além de excelente trabalho por parte de toda a banda. A atmosfera árabe é perfeita e os vocais de Annie Hasslam não são dignos de serem chamados de algo menores que sublimes. Possui mudanças espetaculares e explosões musicais súbitas. Uma beleza simplesmente fora do comum. Tudo feito com total cuidado, onde cada frase é encaixada como um perfeito quebra cabeça dentro de orquestrações que elevam o estado de espirito de quem as escutam.

Um álbum de rock progressivo sinfônico na sua maior essência conceitual. Uma sonoridade verdadeiramente mágica, com toda a certeza um dos mais originais também, pois ao contrário das demais bandas sinfônicas que citei mais acima, em momento algum o Renaissance prega uma sonoridade virtuosa. Tudo flui de forma encantadora, surreal. Excelente disco.

Track Listing

1.Trip To The Fair - 10:48
2.The Vultures Fly High - 3:07
3.Ocean Gypsy - 7:05
4. Song Of Scheherazade: (24:52) 



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